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quinta-feira, 3 de abril de 2014

MITOLOGIAS HQ


Atualmente, os quadrinhos brasileiros estão conquistando seu espaço à força.
Mesmo com pouco ou nenhum apoio das grandes editoras, muita coisa boa tem sido lançada por aqui. E, com sorte, alguns autores conseguem publicar suas obras de forma independente. É o caso deste MITOLOGIAS, que começou como uma webcomic, mas que acabou tendo uma versão impressa. E com muita qualidade, diga-se.
A edição, que possui 170 páginas, e custa apenas R$20,00, pode ser comprada diretamente com os autores. Confesso que o que me chamou a atenção pra comprar foi primeiramente o preço. Achei que valeria a pena conhecer algo assim, custando tão pouco. Lendo, a princípio, demorei pra gostar pra valer da história. O começo dela é meio clichê, apesar de bem feito. Nada muito grave, mas que me deixou com uma impressão errada da história. O humor excessivo do personagem principal também me incomodou um pouco. Afinal, a história não é de humor, talvez o personagem devesse ser menos engraçado.
Mas como a história flui bem, continuei a leitura, e ainda bem, pois ela melhora sutil e naturalmente com o decorrer dos capítulos.
A história começa com uma introdução do mundo dos Deuses, o que só vai fazer sentido mais tarde na história. Passado esse prólogo, temos Társio e o “reverendo”, com armas nas mãos, perseguindo alguém. Eles sobem por escadas, e param em um andar, quando uma criança se revela um demônio, e atira em Társio. Ele, então, começa a relembrar como foi que começou a se envolver com esse tipo de assuntos. 
Tudo começa em uma edição da FLIP, a Festa Literária Internacional de Paraty, evento de literatura que acontece todos os anos na cidade de Paraty. Quem não conhece, é fácil pesquisar sobre. E o evento também tem dedicado um bom espaço às histórias em quadrinhos. Társio está no evento com um amigo, juntos para ver um escritor de HQ chamado “Noah Gaiman”, e pegar um autógrafo. Após o evento, ele acaba perdendo o ônibus de volta pra casa, e seu amigo sugere que ele vá até a casa de “Luis Pinga”, que pode dar hospedagem pra ele, mas ele deve tomar cuidado com o que pode ser pedido em troca. Társio vai até o local, onde Luis Pinga lhe deixa dormir em sua casa, se em troca, Társio matar alguém. Társio caba aceitando, meio que por brincadeira, e recebe um par de armas místicas que somem de acordo com o desejo do dono após pronunciar palavras mágicas, e vai cumprir sua “missão”.
Antes de continuar, é preciso dizer que este primeiro capítulo é baseado em um conto escrito por Tarsio Abraches, que está transcrito no final do livro. Talvez por isso, seja um capítulo um pouco rebuscado demais pra linguagem de uma HQ. Quero dizer, como adaptação pra quadrinhos, está competente, mas ainda assim, falta desvincular um pouco a história do conto, pra dar personalidade própria.
Nos capítulos seguintes, agora a história é criação própria dos autores, Társio vai até a casa de um homem chamado Fenris, que ele diz que é um monstro disfarçado de home bom, e que Társio deve matá-lo. Ele precisa cumprir a missão, ao mesmo tempo que aprende sobre quem são realmente essas pessoas, e como o mundo dos Deuses e o nosso mundo se conectam. E qual será seu real papel em tudo isso.
A história daí pra frente adquire um outro tom, mais vele, e ao mesmo tempo com um ritmo mais natural. Társio se mostra alguém com personalidade própria, não apenas um “engraçadinho” como a primeira impressão me causou, e todos os personagens agem com mais vitalidade durante a história. História essa que, basicamente não apresenta nada de novo no gênero, mas que consegue divertir durante a leitura. Afinal, ela possui  boa fluidez , ritmo narrativo, e não é pedante durante as explicações dos personagens. Nesse quesito, ponto pro roteirista, pois ele conseguiu fazer o que poucos se lembram , que é fazer com que as explicações sejam incluídas no desenrolar da trama, e não no “estilo scooby-doo”, onde todo mundo para pra ouvir a explicação.
Os desenhos lembram muito o estilo de fanzines. Alguns exageros estilísticos que aparentemente nos fazem pensar que está tudo fora de proporção, mas é apenas o traço do desenhista que é assim mesmo, e o mais importante, ele possui uma boa noção de ritmo narrativo, além de uma ótima diagramação. Em algumas cenas, o quadro está um pouco super poluído, mas não acontece com frequência.
E, ao final, uma história solo com Ulisses, o amigo do Társio que o colocou nessa enrascada toda. Muito boa, por sinal.
No geral, uma boa HQ, que merece ser conhecida.


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