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quarta-feira, 30 de abril de 2014

O ESCAPISTA


O ESCAPISTA é uma divertida homenagem ás várias eras dos comics, inspirada em um livro.
Leia mais sobre ela aqui:


O ESCAPISTA
Metalinguístico super herói nos leva à um passeio pela história dos quadrinhos. Ou quase isso.
Tem hq’s cuja ideia básica acaba sendo mais interessante que as histórias em si. Este é um caso. Se você começar a ler as histórias contidas nesta edição sem saber nada do que se trata, você pode achar que é verdade que ele foi um personagem clássico criado nos anos 40, e que foi um grande sucesso, apesar de hoje em dia, estar meio esquecido.
Mas, ao contrário do que parece, se você se deixar levar, ao menos um pouquinho, por essa mentira, fica mais legal. Aliás, desculpe-me, leitor, por já contar do que se trata a mentira. Mas não tive outro meio de começar este texto.
Bem, baseado em um livro de Michael Chabon, que é comentado em um texto no final da edição, sobre uma dupla de amigos que criam uma revista em quadrinhos nos anos 40, as hq’s são com as aventuras do personagem criado por eles. Enquanto eu lia essa edição, me lembrei da primeira HQ do Batman que li na vida, AS VÁRIAS FACES DE BATMAN, uma edição que tinha várias das mais representativas histórias do herói desde a primeira de 1939, até meados dos anos 70. Pois O ESCAPISTA é quase isso. Como se o personagem tivesse mesmo existido. Há uma história que seria sua primeira aparição, nos anos 40, escrita no estilo da época. E as histórias vão seguindo de acordo com as épocas em que teriam sido escritas. Após a primeira HQ, há um texto contando toda a história editorial do personagem.
Claro que, infelizmente, nem tudo é perfeito. Muitas das histórias, apesar de os roteiros tentarem emular o estilo da época, pecam por não ter o mesmo efeito com o traço. Fora Howard Chaykin, poucos artistas fazem com que o leitor imagine realmente estar lendo uma HQ de época. Talvez uma história passada durante a guerra do Vietnã tenha conseguido, mas é muito pouco.
Outro ponto contra a proposta da edição é o fato de o personagem Escapista não ser lá muito interessante. Como ele deve ser “genérico”, e representar todos os principais super heróis das hq’s, ele não consegue ter personalidade própria, sendo modificado à cada história. Claro, que, tendo o texto com sua “história editorial” como justificativa, dá pra entender que é de propósito, como realmente aconteceu com muitos heróis. Mas para além disso deveria existir algum traço de personalidade que fizesse o leitor simpatizar com ele. Não há. Assim, lemos uma revista sem nos importarmos de verdade com o personagem-título.
Mas isso quer dizer que as histórias são ruins? Não, apenas que o personagem não nos conquista. Pra não dizer que nem tudo é bom, há uma história que considero a grande pérola da edição, “Reinar o Inferno”, que tem roteiros do hiper competente Brian K Vaughn (Y – O Último Homem, e Ex-Machina). Essa história, além de emular com perfeição o estilo em que se passaria a história, consegue dar luz á um dos melhores personagens coadjuvantes, e ainda por cima, é uma história que brilha sozinha. Maravilhosa mesmo.
Outra que se destaca, é “Escape do Hospital”, com roteiro de Harvey Pekar. Mas talvez ela seja uma boa apenas pra quem conhece os trabalhos de Pekar, e já leu algo de American Splendor, ou sabe do que se trata por causa do filme “O Anti-Herói Americano”. Principalmente, pra que viu o filme. Afinal, a HQ é quase um epílogo pro filme. Se você não sabe, Harvey Pekar é um quadrinhista que ficou famoso com a revista American Splendor, sujos roteiros nada mais eram do que episódios de seu cotidiano quadrinizados por desenhistas do underground. E essa história é apenas mais um desses episódios. O Escapista está lá apenas como um coadjuvante de luxo. A história é do Harvey. Alguns anos após a produção do filme, Harvey está saindo do hospital, quando encontra o Escapista dentro e um ônibus, e aí...
Outro destaque é a última história que Will Eisner fez antes de falecer. 6 páginas onde o Escapista e o Spirit se encontram. Não é grande coisa como história, só serve pra quem é muito fã do Eisner (como eu. Confesso que foi o motivo que me levou a comprar esta edição). Vale a pena ler o Spirit no traço de seu criador original, depois de décadas.
Fora tudo isso, a proposta original acabou saindo mais interessante do que as histórias. Mas se o leitor não se importar com o fato de o personagem principal não ter carisma, dá pra apreciar boas histórias, onde o mais importante é a aventura e a diversão. Talvez isso já seja o suficiente...
Ah, mas há outra edição do Escapista que foi publicada no Brasil. Mas essa eu nem comprei ainda...

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