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quarta-feira, 16 de abril de 2014

Y - O ÚLTIMO HOMEM


Y - O ÚLTIMO HOMEM, foi, na minha opinião, a melhor e mais criativa série do selo Vertigo da década passada. Uma trama que conquista quem a lê. Saiba mais sobre ela aqui:


Y – O ÚLTIMO HOMEM
Está chegando às bancas do Brasil o último volume da saga do último humano do sexo masculino do planeta. Uma obra prima do genial Brian K Vaughn.

Imagine como seria o mundo se, de repente, todos os animais machos, incluindo aí os humanos, morressem. Como seria um mundo onde apenas as mulheres existissem? Com base nessa ideia que tem base em ficção científica “trash”, o escritor Brian k Vaughn, juntamente com a desenhista Pia Guerra, criaram “Y – O ÚLITMO HOMEM” para o selo “Vertigo”, da DC Comics, em 2002. Com 60 edições publicadas, a série é uma das melhores histórias publicadas pelo selo nesta primeira década do século, por apresentar um tema tão “exdrúchulo”, mas de uma forma que, ao ler, fica muito palpável. Ao folhear a primeira página, o leitor se sente como se realmente não houvesse mais homens no mundo.
A história começa com a Dra Alisson Mann, uma geneticista que tentava criar um clone de si própria. No momento em que a criança estava pra nascer, acontece algo que faz com que todo mamífero macho do planeta morra ao mesmo tempo. Sobra apenas dois: Um humano chamado Yorick Brown, e seu macaco de estimação.
Quando começa o “generocídio”, o mundo entra em crise. Cadáveres tomam conta das ruas, e as mulheres demoram pra se estabelecer no Novo mundo. Aviões caem, fábricas param, eletricidade e outras necessidades básicas param de ser produzidas.  Caos. Mas aos poucos, elas começam a reerguer o mundo. Enquanto isso, Yorick e seu macaco decidem ir até o congresso encontra sua mãe, uma deputada. Chegando lá, ele informa que precisa ir até a Austrália, encontrar sua namorada, Beth, que ele havia acabado de pedir em casamento por telefone, e não havia ouvido a resposta. Mas a deputada Brown encarrega seu filho de outra missão: juntamente com a “agente 355”, do misterioso “Círculo Culper”, procurar pela Alisson Mann, e juntos, encontrarem uma cura para o que se acha ser uma praga.
Essa é a trama básica da saga. Claro, que, o que parece simples a princípio, precisava de complicações pra poder durar tantas edições, e Vaughn faz com que, inicialmente, o laboratório da Dra seja incendiado por um grupo de mulheres do exército israelense, o que faz o grupo precisar atravessar todos os EUA até o segundo laboratório dela, na costa oeste. No caminho, várias complicações.
O primeiro dos problemas que eles enfrentam são as “Filhas das Amazonas”, um grupo de mulheres que acreditam que a praga foi uma seleção natural para destruir os homens e libertá-las da escravidão do patriarcado. Agora, elas vivem destruindo bancos de esperma, e acabando com tudo o que lembre a cultura masculina. Ao tomarem conhecimento de Yorick, elas querem matá-lo, e acabam por encontrá-lo em uma cidade onde ex-detentas vivem em uma sociedade quase perfeita. Despistá-las, principalmente depois de descobrir que uma das amazonas é Hero, irmã de Yorick, não foi tarefa fácil.
Em cada álbum, o trio de “heróis” passava por uma localidade diferente dos EUA, encontrava pessoas com problemas, ou se envolviam em assuntos que desviavam o grupo temporariamente da sua missão. Como quando encontraram uma russa que dizia que os astronautas que estavam na estação espacial iriam pousar em breve, e havia dois homens no grupo. Em outra ocasião, eles encontraram uma milícia de mulheres armadas que decidiram dominar as estradas.
Vaughn criou uma história onde um fato absurdo se torna crível. Na verdade, vários fatos absurdos. A cada página, somos jogados em situações que beiram o ridículo, mas que, no estilo narrativo dele, ficam com um tom realista. E o fato de ele escrever sem usar o recurso dos recordatórios dá um ar cinematográfico à revista.
Y parece mais uma série de TV, com cada capítulo sendo um “monstro da semana”, enquanto a “trama maior” ganha ares de subtrama. Outro ponto positivo é em como o passado de personagens secundários é apresentado ao leitor, através de capítulos isolados, compostos por flachbacks. Coincidência ou não, o estilo usado pelo autor foi o mesmo usado no seriado Lost, que surgiu na TV na mesma época. E Brian K Vaughn acaboou sendo contratado pra trabalhar como roteirista do seriado, ficando da terceira á quinta temporada. Cada edição focada em um passado é como um “respiro” da trama principal, para que possamos conhecer algo do personagem que, em breve, poderá ou não ter consequências no desenrolar da história.
No meio do caminho, o autor fez algo que, apesar de não ser nada inovador, acabou se mostrando inusitado: a Dra. Mann descobre o que salvou Yorick da praga. Agora, uma das questões foi respondida, antes do fim da saga. Mas ainda assim, a história seguiu, com o sequestro do macaco Ampersand, o que levou os heróis à percorrerem o globo atrás dele, o que, parecendo uma coincidência, mas que na verdade foi bem planejado e amarrado por ele, fez com que os personagens descobrissem que e o que causou o generocídio.
O final, com a descoberta, também mostrando como Brian K Vaughn tem domínio do seu ofício, acontece na penúltima edição. O que faz com que a última edição seja uma espécie de epílogo da saga.
E os desenhos de Pia Guerra são competentíssimos. Um traço simples, que emula um estilo clássico dos comics dos anos 70, mas com o domínio do ritmo narrativo moderno, são um espetáculo à parte, e ajudam o leitor à se situar no mundo sem homens. Em algumas edições, outros desenhistas foram convidados, como Paul Chadwick, Goran Parlov, e principalmente Goran Sudzuka, quem mais atuou como convidado.
Mas o grande motivo pelo qual a série é uma leitura excelente são os personagens. Bem construídos, tanto os principais quanto os coadjuvantes, e aqueles que aparecem em uma única edição, todos possuem uma vitalidade e personalidade, coisa que poucos autores conseguem criar com competência. Yorick, por exemplo, é um jovem nerd como muitos dos leitores. Sempre fazendo citações à cultura pop, em muitos momentos, algo tão obscuro que poucos leitores devem sacar. Não que seja preciso reconhecer cada citação que ele faz, mas isso dá um charme à mais à leitura. Em um momento, por exemplo, ele mostra um isqueiro com a inscrição “Foda-se os comunistas”, e menciona que viu isso em um gibi. Ele não menciona qual, mas leitores habituais do selo Vertigo notam que se trata de Preacher, que eu já comentei neste site.  Citações de filmes, seriados, diálogos que ele repete, letras de músicas. Ele é o verdadeiro leitor de quadrinhos sendo representado. E também é o alter ego do roteirista, que também faz um tipo parecido no Mitchel Hundred, em Ex-Machina.
E as mulheres que ajudam Yorick em seu caminho são tão complexas quanto qualquer mulher que eu ou você conheça. Elas passam por mudanças de humor o tempo todo, alem de agirem com suas particularidades. Em várias cenas de diálogos, elas conversam como seres reais, não apenas reagindo ao que Yoricik fala, como um autor incompetente faria.
Em resumo, uma leitura obrigatória pra quem busca boa histórias. Se você é um leitor que nunca leu uma edição sequer de Y- O ÚLTIMO HOMEM, eu recomendo ir atrás de todos os volumes (ao todo são 10). Aposto que você não vai conseguir parar de ler enquanto não terminar. E, durante a leitura, vai até esquecer que vive em um mundo real onde os homens ainda existem.


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