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quinta-feira, 15 de maio de 2014

MORNING GLORIES


Leia aqui meu texto sobe esta série da Image Comics.


MORENING GLORIES
Lançado no final do ano passado, este encadernado contendo as 6 primeira edições da revista originalmente lançada pela Image Comics nos EUA é considerada uma das melhores séries novas da atualidade. O roteirista, Nick Spencer, já se tornou um novo famoso do meio, escrevendo para a Marvel.
Morning Glories conta a história de um grupo de adolescentes que estão entrando em uma instituição de ensino que é considerada uma das melhores dos EUA. Mas essa escola não é exatamente um lugar de ensino tradicional. Os estudantes de lá passam pro provações quase desumanas com objetivos secretos.  O que é essa escola? Porquê eles foram escolhidos? Porquê eles não podem sair de lá, não podem ter contato com o exterior, e o mais importante: será que eles vão sobreviver lá dentro?
Essa premissa básica não parece nada de novo, pra quem conhece obras variadas com o tema. Até o recente filme “Jogos Vorazes”, de certo modo, é um reflexo dessa influência “Orwelliana”. Assim sendo, a princípio, essa HQ não apresenta nada de novo. Mas ao lê-la, descobri que ela possui um tempero especial, que é o estilo do autor. Spencer consegue fazer uma história cativante, que consegue prender o leitor. Mas o mais importante, ele possui um bom ritmo, que se sobrepõe ao desenho. A arte de Joe Eisma não tem nada de chamativo, chegando em certos momentos a ter um traço primitivo, e amador, mas apesar disso, ele consegue seguir o ritmo narrativo com competência, dando o clima que o roteiro pede.
Mesmo embora vários personagens estejam desenhados de forma tão parecida que é preciso ficar atento à um ou outro detalhe da roupa deles pra não confundi-los. E a arte final e as cores também não ajudam, tudo com cara de amador mesmo.
Mas, voltando ao que eu disse antes, o ponto forte é o roteiro. Apesar dos personagens seguirem os esteriótipos de adolescentes vistos em seriados ruins de TV (mas que muitos jovens adoram...), o ritmo da história flui muito bem. Além das influências óbvias, é possível reconhecer um pouco de “Lost”, e até da quase desconhecida série inglesa “O Prisioneiro”. Pra quem não conhece, vale a pena ir atrás dessa série, que mostrava um ex-agente secreto que, ao se aposentar, era jogado em uma ilha, para que seu conhecimento não caísse em mãos erradas. E, como ele, os jovens dessa HQ não sabem o que esperar dessa escola. Além de saberem que não é qualquer um que pode ser escolhido para estudar lá, e que não é permitido nenhum contato com o exterior, eles logo descobrem que não estão lá por obra do acaso, mas que provavelmente foram escolhidos um a um. Todos nasceram na mesma data, por exemplo.
E, o dia a dia na escola é passado mais com provas de vida ou morte, do que com educação tradicional. E, pra deixar tudo mais misterioso, há um porão onde uma algo que pode ser o resultado fracassado de alguma experiência é guardada.
Esse primeiro encadernado, como é de se esperar, não dá muitas respostas, apenas apresenta as perguntas. Pra atual “era da preguiça de pensar” de hoje em dia, talvez alguns leitores não gostem de não ter todas as respostas, mas outros podem ficar muito interessados em continuar acompanhando essa revista, assim como acompanhavam Lost.
Mas nem tudo nessa revista é bom. Ao mesmo tempo que o roteiro é o maior mérito, ele também está cheio de pequenos furos. O maior deles é quanto á passagem do tempo. A leitura do encadernado segue rapidamente, cada capítulo é “colado” no seguinte de modo que o leitor se sente obrigado a ler de uma tacada só, mas conforme vai lendo, percebe-se que o tempo está passando, mas quanto tempo decorreu... Confesso que fiquei perdido quanto à isso. É preciso saber ao menos se tudo aquilo mostrado no encadernado aconteceu em uma semana, ou meses, ou foi tudo no mesmo dia (tô exagerando,eu sei,  mas é pra ilustrar o problema).
Outro problema é uma necessidade de tentar soar “pop”, e fazer diálogos cheios de citações. Algo que virou moda ultimamente, muitos autores acham isso legal, mas quando não é feito corretamente, fica chatíssimo. Digamos que Nick Spencer não tem a genialidade do Brian K Vaughan... Toda citação que ele coloca na boca dos personagens é explicativa demais. Há vários momentos em que, ao citar uma diálogo de filme, o personagem que fez a citação fala o nome do filme. Tira toda a naturalidade da cena, afinal, é o personagem explicando pro leitor de que filme é a citação.
De um modo geral, é uma boa história, apesar desses defeitos. Eu não me interessei em continuar lendo, pois não me identifiquei com os personagens, mas pra quem se interessa por uma HQ diferente e misteriosa, é uma boa pedida. 

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