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quarta-feira, 7 de maio de 2014

O INESCRITO & SWEET TOOTH


Quando a Panini lançou as primeira edições dos encadernados "O Inescrito", e "Sweet Tooth", eu as li, e resenhei aqui:


O INESCRITO & SWEET TOOTH
Analisando os primeiros volumes das novas apostas da Vertigo da Panini no Brasil.

Com o fim de Y – O ÚLTIMO HOMEM, e EX-MACHINA, a Panini  Comics escolheu para substituí-las duas sereis do selo Vertigo pra dar continuidade às sereis de encadernados pra bancas. Tarefa difícil, visto que  as sereis terminadas eram excelentes histórias, cheias de criatividade e muito bem escritas. Pra substituição, não podem ser quaisquer coisas.
Nas edições 34 e 35 da revista mensal Vertigo a editora encartou duas ediõçes fac-símile em “formatinho” contendo trechos das edições nº 1 de cada uma delas. Minhas impressões iniciais, antes de ler (tanto esses fac-símiles quanto aos encadernados) eram de que SWEET TOOTH seria ótimo, e O INESCRITO não seria grande coisa. Nunca gostei de Mike Carey, o autor de O INESCRITO. Mas, ao ler, aconteceu justamente o contrário. Gostei bastante do trabalho do Carey, e achei o do Jeff Lemire apenas bom. Bem, vamos analisar cada uma delas:
O INESCRITO
Talvez esta seja a primeira HQ a retratar o “mundo editorial” tal qual ele se tornou depois do fenômeno Harry Potter, onde não apenas o bruxinho, mas cada livro precisa se tornar um beste seller que todos estão lendo ou odiando quem lê. Neste mundo, o maior fenômeno literário sãoa s aventuras do bruxinho “Tommy Taylor”. Seu autor, Wilson Taylor, desapareceu misteriosamente. Os fãs do livro são um culto maior que os de fãs de Tolkien, e esperam que o autor volte para escrever um novo livro do personagem.  Tom Taylor, filho do autor, vie em convenções, dando entrevistas e autógrafos. Um dia, uma estudante pergunta se ele realmente é o filho de Wilson Taylor, ou um farsante. Apesar de saber quem ele realmente é, começam a aparecer provas de que tudo pode ser uma farsa. Mas em tempos de internet, onde uma mentira pode se tornar uma verdade apenas pela quantidade de pessoas que acreditam nela (ou postam, curtem, compartilham, ...), como fugir da repercussão disso? Agora, Tom precisa provar que não é um farsante, ao mesmo tempo em que procura por seu pai. Mas, no fundo, ele só queria ficar em paz.
Mike Carey nunca foi um dos meus escritores favoritos. Tudo o que eu li dele pecava por falta de originalidade. Em Hellblazer, por exemplo, parecia que ele havia lido tudo o que foi publicado anteriormente, e feito uma releitura. Chatíssimo. Em outras obras, ele parece imitar o estilo de Neil Gaiman. Neste O INESCRITO, ele parece seguir por esse caminho. Muito do ritmo lembra Neil Gaiman. Há até, na última história do encadernado uma história que mostra o escritor Rudyard Kipling envolvido em uma conspiração que lembra muito as histórias de Sandman, quando Gaiman inseria alguma personalidade real, ou recriava alguma história mitológica na sua saga. Mas apesar desse meu “preconceito” contra Mike Carey, gostei bastante da leitura deste encadernado. Ele possui um bom ritmo, a história não cai em momento algum, e tem um clima de suspense bem trabalhado.
No decorrer da história, vão acontecendo coisas que mostram que realidade e ficção podem não ser coisas separadas, e o autor sabe misturar isso muito bem, sem fazer com que a história perca seu “pé no chão”. Aliás, esse é o grande diferencial, na minha opinião, e o que faz desta uma ótima revista: ela é baseada em nosso mundo. Um mundo com internet, fofocas inventadas por jornalistas ruins, fãs de livros que vivem como se estivessem dentro das histórias, etc. Se você for um leitor que não entende porque seu amigo nerd fica indo em tudo quanto é evento fazendo “cosplay”, vai se identificar imediatamente com o mundo em que Tom Taylor vive.
E o traço de Peter Gross não é belo, mas é competente na diagramação, composição das páginas, e dá o clima exato de seriedade e escapismo que a história existe.
SWEET TOOTH
A premissa básica deste SWEET TOOTH já me conquistou antes mesmo de eu começar a ler. Quando li as primeiras reportagens a respeito, já sabia que acabaria colecionando. Mas, ao ler, não me empolguei tanto quanto achei que iria. A revista conta a história de um mundo onde “O Flagelo” devastou quase toda a humanidade. Isso fez com que as crianças híbridas de humanos e animais nascessem. Essas crianças são caçadas, pois são consideradas valiosas. Uma dessas crianças é Gus, de 7 anos, que vivia sozinho com seu pai, até que ele morreu. Agora, ele está sozinho no mundo. Até que surge Jepperd, um homem misterioso e bruto. Ele promete levar Gus até um lugar chamado de  “Reserva”. Pelo caminho, os dois podem acaber se tornando amigos; ou Gus pode se tornar um ser violento como Jepperd; ou Jepperd pode se deixar levar pela inocência de Gus.
Essa história parece ter o estilo clássico dos contos de fadas, mas transposta para a realidade dos dias de hoje, mas em um ambiente pós-apocaliptico. Jeff Lemire, que também escreve vários títulos da “linha Dark” da DC, escreve e desenha esta obra singela. Em alguns momentos durante a leitura, eu, como órfão de “Y – o Último Homem” achava que estava lendo uma história que se passa no mesmo universo, por mostrar os dois personagens em uma jornada pelo mundo devastado. Mas o estilo de Jeff Lemire é bem diferente de Brian K. Vaughan. Principalmente no ritmo que ele conduz a história. Em algumas páginas, tudo parece ser muito rápido. Você vira as páginas numa velocidade, e termina todo o encadernado em questão de minutos. Fiquei com a impressão de que falta mais tempo pra que o leitor se identifique com os personagens antes que a história realmente passe pra ação. Mas dependendo de como os próximos encadernados forem construídos, isso pode ser uma característica boa.Faz com que a história não fique “enrolando” o leitor.
O traço de Lemire não é do tipo que agrada qualquer leitor. Já vi alguns leitores dizendo que não gostaram muito do estilo dele, que foge da tradicional busca pelo realismo de muitos artistas. Pelo contrário, o traço dele é “expressionista”. Torto, estranho à primeira vista, distorce os personagens em algumas cenas, mas possui uma força nas caracterizações de gestos e emoções que poucos desenhistas possuem.
RESUMINDO
As duas obras não tem o mesmo potencial de se tornarem “clássicos”como Y e Ex-Machina foram para muitos leitores, mas ainda assim, são duas boas leituras. Eu, particularmente, apesar de ter achado que a leitura de O INESCRITO tenha sido melhor, vou apostar em colecionar SWEET TOOTH. Além de não confiar totalmente em Mike Carey, a obra de Jeff Lemire tema vantagem de já ter se encerrado nos EUA, em poucos encadernados.
Mas essa é a minha opinião. Ao leitor que optar por qualquer uma delas, vai estar adquirindo uma ótima leitura.

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