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segunda-feira, 26 de maio de 2014

O QUE ACONTECEU AO HOMEM MAIS RÁPIDO DO MUNDO?


Uma HQ alternativa simples e bem executada. Merece ser conhecida por todo apreciador de boas histórias. Leia minha crítica aqui:


O QUE ACONTECEU AO HOMEM MAIS RÁPIDO DO MUNDO?
Uma das hq’s mais interessantes já lançadas por aqui, e que infelizmente, nunca vai ter o devido destaque, justamente por seu teor totalmente fora do mainstream. Não só isso, muito do que faz dessa HQ uma obra genial é o que pode afastar os leitores. Pena.

“O QUE AOCNTECEU AO HOMEM MAIS RÁPIDO DO MUNDO?” é uma HQ independente publicada na Inglaterra,escrita por Dave West, e desenhada por Marleen Lowe, conta a história de Bobby Doyle, um jovem que tem um super poder : ele pode parar o tempo ao seu redor. Ele quase não usa seu poder, pois enquanto para o tempo, ele continua envelhecendo normalmente fora dele. Ele só o usa em situações especiais.  E, quando um terrorista coloca uma bomba no centro de Londres, ele acredita que esse é um desses momentos. Ele vai usar seu poder para ajudar as pessoas de Londres, mesmo que isso acabe tendo um custo altíssimo pra si.
Mas se engana quem achar que essa HQ é apenas isso. Lendo assim, pode parecer nada demais, apenas outra história sobre heroísmo, certo? Errado! Dave West usa essa trama manjada para contar uma história humana, e de forma genial!
Usando uma formula narrativa que aparentemente vai na contra mão da tendência atual, Dave utiliza na maior parte do tempo recordatórios, e poucos diálogos. É quase como um conto ilustrado, mas sem os efeitos chatos do mesmo, pois os desenhos estão em perfeita sincronia com o texto, completando-os. Da forma como é usado, é como se o narrador onisciente conversasse com o leitor, enquanto Bobby trabalha em seu plano de salvar as pessoas.  E o narrador conversa mostrando os pensamentos, emoções e sentimentos dele, enquanto vai nos contando sobre os fatos que acontecem na cidade, a bomba, e o tempo passando. Ou melhor, os dois tempos, o tempo “real”, onde a bomba irá explodir em menos de 1 hora, e o tempo que passa para Bobby quando usa seu poder.
Bobby vai até a bomba, e vendo que não saberia como desarmá-la, ele decide salvar as pessoas da única forma que pode: carregando-as uma por uma para o mais longe do alcance da explosão. Acompanhamos então, quase todos os passos dele carregando as pessoas, enfrentando problemas como o fato de seu poder não funcionar para abrir portas. O que faz com que, ao precisar fazê-lo, ele faz o tem pó voltar a correr normalmente, diminuindo o tempo que terá pra salvar todos antes da explosão.
Outro problema para Bobby é o tempo passando. Como disse no começo do texto, ele pode ter parado o tempo, mas ele continua vivendo em outro tempo, e nesse “fora do tempo”, ele envelhece normalmente. Assim, essa 1 hora antes da bomba explodir, pra ele são anos. Durante esse período, ele dorme, come, e tenta compensar a solidão falando sozinho, ou fingindo que conversa com as pessoas que está salvando.
Tudo é mostrado de forma bastante lenta, com um tempo de exposição feito na medida para o leitor sentir como se o tempo realmente estivesse parado. E cada cena, cada dia passado, ou mês ou ano, o leitor acompanha da vida de Bobby.
Ao final da história, fica uma sensação de singeleza, apesar da tensão do clímax. Singeleza essa causada principalmente pela forma como o autor consegue fazer o leitor sentir empatia pelo personagem.
E quanto a arte? A primeira folheada, pode parecer uma arte feia, e amadora. E o que acaba sendo compreensível, ao ler o textos que acompanham a edição, onde muito dos bastidores da produção são revelados. Mas lendo, somos tocados por uma arte bastante expressiva, além de um profundo conhecimento de Narrativa de Marleen Lowe. Outra boa característica são as páginas teem uma diagramação tradicional, sem “abusos estilísticos” pra causar impacto. Afinal, como a história possui um tom fantástico e ao mesmo tempo um  ritmo lento, cenas de impacto quebrariam o clima da história.
A edição nacional, publicada pela GAL EDITORA possui vários extras na forma de textos, introdução do próprio autor feita com exclusividade para a edição brasileira, além de uma HQ prólogo (e que, na minha opinião, ficou melhor publicada com epílogo mesmo). Ela saiu por aqui em 2011, mas ainda pode ser encontrada em livrarias e gibiterias.
Eu recomendo, afinal, uma HQ onde o leitor já começa a ser imerso na história pela capa só podia ser algo memorável mesmo.

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