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segunda-feira, 30 de junho de 2014

TODA RÊ BORDOSA


Leia aqui meu texto sobre o álbum que publica todas as tiras da porraloca dos anos 80.


RE BORDOSA

Lembro quando eu era criança: havia um cara que morava no mesmo quintal que era um roqueiro cabeludo,com um quarto cheio de discos do Iron Maiden, AC/DC, e vários gibis espalhados. Me lembro principalmente das edições da MAD, e da Chiclete com Banana, que eu sempre folheava. Adorava os desenhos, mesmo que eu ainda não entendia o que eles queriam dizer. Várias capas da revista ficaram gravadas na minha memória. Também tinha outro tipo de revistas, mas não é o assunto aqui.
Anos depois, já com 20 anos, passeava pelo meu sebo favorito, e encontrei um exemplar da “Morte da Porraloca”. Claro que comprei sem nem pensar muito. Além de barato, eu sabia que aquilo era um clássico das hq’s nacionais. Agora, sim, as piadas faziam sentido pra mim. Adorei a leitura, e imediatamente virei fã do Angeli. Passei a comprar várias outras edições da Chiclete que encontrei pelas minhas peregrinações por sebos. Talvez até tenha sido isso o que me fez virar quadrinhista.
Anos depois, finalmente é lançada uma edição que compila todas as tiras da personagem que seu autor se permitiu a ousadia de matar. Muitos anos antes de matar um personagem de HQ tivesse virado rotina. TODA RÊ BORDOSA, é um livrão de 19,5 x 26,5 cm, e 216 páginas.
As tiras foram restauradas digitalmente a partir dos originais do Angeli, novo letreiramento, e na publicação foram separadas mais ou menos pelos “temas”.  Há as tiras com a Rê no bar, na praia, na cama, na banheira, com os pais, grávida, com os amantes, na clínica de aborto, etc.
Além das tiras e hq’s que saíram na Folha de São Paulo entre 1984 e 1987, há também a história completa da morte dela, além das hq’s onde o autor “revisita” a Rê, “Memórias de uma Porraloca”, de 1996, onde ele encontra o diário perdido da Rê Bordosa, e “Vodka”, de 2009, que mostra um grupo de pessoas que se reúne fantasiados de Rê Bordosa. Além de alguns extras, como esboços, capas, reprodução de uma reportagem sobre a morte dela na época, além de tiras em italiano.
Só senti falta de algum texto contando mais sobre a história da criação dela. Ou algum prefácio do próprio Angeli. Mas, por outro lado, isso é algo que só vai fazer realmente falta para os fãs novos, que não conhecem a história, não sabem que o Angeli a criou como uma forma de “exorcisar” tipos de pessoas que ele odiava, e uma mulher beberrona e pentelha como ela não é mesmo muito agradável.
Além do que, há os documentários “Dossiê Rê Bordosa”, e “Angeli 24 Horas”, pra quem quiser saber mais. É só procurar onde comprar, ou assistir de graça.
Com Rê Bordosa, mais do que criticar um tipo de mulher considerada “vulgar” pela sociedade, Angeli acabou fazendo um retrato do comportamento daquela época. E, pra quem ainda não leu, e pode se perguntar “será que essas tiras tão calcadas nos anos 80 ainda tem algum valor hoje?” Sim, tem. Os trabalhos de Angeli são atemporais. A Rê é uma mulher moderna, que estava frente do seu tempo, e continua sendo moderna. Mas o melhor de tudo é que as piadas continuam engraçadíssimas.
O que posso dizer além de IMPERDÍVEL?

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