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terça-feira, 17 de junho de 2014

ZDM - TERRA DE NINGUÉM


ZDM, uma hq distópica sobre um futuro onde Nova Iorque não faz parte dos EUA, se tornando um território em guerrilha constante, e onde o jornalista Matt Roth precisa sobreviver. Leia sobre ela aqui:

Todo dia é 11/09”, diz uma pichação na primeira edição da série. E, ao ler essa HQ de Brian Wood, parece que é isso mesmo. Ficamos com a sensação de que a realidade que vemos pelos meios de comunicação não é bem assim, e que podemos estar vivendo algo completamente diferente, sem nos darmos conta. Esta HQ é considerada uma das melhores alusões à guerra do Iraque, mas pode ser sobre qualquer guerra, qualquer revolução.
Brian Wood era um sucesso promissor no mundo das hq’s quando, em 2005, lançou DMZ, pelo selo Vertigo, da DC Comics. Embora seus trabalhos posteriores não mostrem que ele amadureceu como artista, algumas de suas hq’s são excelentes. Este, juntamente com LOCAL, é um dos bons trabalhos do desenvolvedor do game GTA.
“DMZ” é uma sigla para “DeMilitarized Zone”, ou seja, “Zona DesMilitarizada”, um local que fica entre  duas forças em guerra, uma espécie de “zona neutra”, ou, comona HQ, uma zona sem pátria.
A história mostra uma realidade alternativa, onde uma nova guerra civil nos EUA faz com que a ilha de Mahnattan, em Nova Iorque, se isole do restante do país, tornando-se a Zona Desmilitarizada do título. A guerra ocorre entre o governo “oficial” dos EUA, e um exercito dos “Estados Livres.” Essa guerra, como poderia acontecer de verdade, possui várias nuances bastante obscuras. Principalmente devido aos conglomerados da mídia, manipuladora dos fatos.
A história começa com o jovem fotojornalista Matty Roth, que, enviado para ser assistente de um grande repórter, acaba sendo pego no meio de um ataque, quando entra em Manhattan, ficando preso no local. Procurando por sobrevivência, ele acaba tendo uma forma de contato com os habitantes que ficaram no local, e descobrindo que a realidade não é bem como a mídia mostrava, nem como seus patrões queriam que ele noticiasse.
As primeiras edições são focadas principalmente em Matty se adaptando ao novo local, e descobrindo como são as coisas na ZDM. Ele é o elo com o leitor, que acaba vendo a verdade sobre a guerra junto com ele. Na primeira edição, por exemplo, muitas das informações sobre a guerra civil vem de jornalistas e militares, e depois vemos as coisa pelos olhos dos moradores da ilha. Em uma das primeiras edições, por exemplo, vemos Matty descobrir que um grupo considerado como terrorista, na verdade, são pessoas que lutam para garantir a sobrevivência de animais do zoológico de NY.
Também temos Zee, a primeira pessoa que fica amiga de Matty quando ele “desembarca” por ali. Ela é a personagem que fica abrindo os olhos dele, além de cuidar deles nos momentos mais difíceis, e ensiná-lo como sobreviver por lá.
A revista não procura revelar “segredos” de como a guerra civil aconteceu, e como as coisas chegaram até tal ponto, mas mostrar os resultados dos conflitos, e como as pessoas lidariam com uma situação dessas. Mas o que mais chama atenção é o modo como a mídia lida com os fatos, manipulando não apenas como noticiarão as coisas, mas agindo como uma organização secreta. Matty, que na edição nº 6 é resgatado da ilha pela emissora onde trabalha, e imediatamente é “contratado” como “correspondente de guerra” oficial deles, se vê usado por eles de forma explícita. Ele se questiona o tempo todo sobre qual é a realidade desse conflito, e que interesses podem haver por trás de tudo. Pretendendo ser um porta voz da realidade da ilha pela emissora, ele acaba se desvinculando dela, e se engaja na luta das pessoas do local. Afinal, como ele descobre no segundo arco da revista, o exército americano pode tentar um novo golpe para tomar a ilha a qualquer momento.
Os desenhos, na maioria do desenhista italiano Riccardo Burchielli são um espetáculo a parte. Com um estilo “sujo” para os padrões americanos, fazem o leitor se sentir como se estivesse lendo alguma saga da revista Heavy Metal. Ele sabe como criar uma ambientação de um local pós-guerra, com cenários destruídos, destroços pelas ruas, etc. E com um ótimo domínio de narrativa, dando ao leitor o ritmo exato entre os momentos de tensão com os de reflexão dos personagens.
No Brasil, a série foi inicialmente publicada pela Editora Pixel, que publicou as primeiras 10 edições dentro da “Pixel Magazine”. Após o cancelamento da revista, e a perda dos direitos do selo Vertigo pela mesma, a Panini Recomeçou a publicação desde o nº 1, na forma de encadernados. Apesar do preço nada convidativo, e vendido apenas em livrarias e lojas especializadas, esta é uma das melhores hq’s publicadas atualmente em nosso país.
Lá fora, a saga se encerrou no nº 72, conforme o próprio Wood planejava. E, com ou sem guerra no Iraque, sua mensagem principal continua atualíssima.

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