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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

PLANETARY


Leia aqui meu texto sobre PLANETARY, os Arqueólogos do Impossível!


Warren Ellis é um dos mais geniais escritores de hq’s da atualidade. Com uma habilidade de passear tanto pelos universos de super heróis (onde trabalhou principalmente na Marvel, e Wildstorm), quanto por suas criações autorais. Estas, ele costuma brincar sem se apegar à regras comerciais, e usa e abusa dos seus personagens, das tramas complexas, e conceitos nada fáceis para leigos entenderem.
PLANTARY, que a Panini está relançando, é um ótimo exemplo de como o autor brinca com conceitos. A série é pouco falada pela grande mídia do quadrinhos, talvez pela forma que foi publicada, passando por várias editoras e formatos, mas quem leu considera uma das melhores séries do começo deste século. E não é pra menos!
A HQ, maravilhosamente desenhada por John Cassaday, mostra o “Grupo Planetary”, os “Arqueólogos do Impossível”, subtítulo que, por si, já é uma mostra de como a HQ trata de seus temas. O grupo, composto por Elijah Snow, Jacita Wagner, e o Baterista, viaja o mundo investigando a história do século XX.  Mas não a história que todos conhecemos, mas a história secreta do mundo. Como Snow e Jackita dizem na primeira edição: “É um mundo estranho. Vamos mantê-lo assim.”
Snow, que possui o poder de congelamento, é uma “criança do século”, nascido em 1º de janeiro de 1900, ele viveu por todo o século XX sem envelhecer. Ele é o líder do grupo, e o personagem principal da série. No decorrer da série, a HQ parece deixar de lado o conceito de grupo, e Snow se torna o verdadeiro protagonista, cuja trajetória trata a série. Mesmo assim, Jackita e o Baterista também possuem seus momentos de destaque na trama.
Entre as investigações deles, vemos a grande atração dessa obra, que é o fato de eles revisitarem grandes conceitos e invenções criadas por nossa ficção, como se tudo na verdade tivesse realmente acontecido, mas em um plano de consciência diferente do resto do mundo. Assim, as viagens à Lua escritas por Jules Verne realmente existiram, assim como os heróis dos pulps nos anos 30, e computadores que acessam outras dimensões, criados na Segunda Guerra Mundial.
Todas essas descobertas são o que mais chama atenção na leitura. Ellis costura o uso de drogas, com os universos de personagens clássicos da literatura com a alta tecnologia que ainda está em desenvolvimento com a naturalidade característica de sua obra. Ler uma história de Planetary é como abrir a mente após receber um choque cultural. Imagine-se descobrindo que Godzilla viveu isolado em uma ilha no Japão; ou que o Hulk foi trancafiado em um poço após a experiência gama; E tudo isso apenas no primeiro encadernado. Nos seguintes, os conceitos ficam ainda mais fascinantes. Nos encadernados seguintes o leitor verá uma homenagem à John Constantine, e vários outros personagens do selo Vertigo, em uma história que serve para ilustrar a ascensão e “queda” atual dos quadrinhos do selo adulto da DC Comics.
Mas a série não é apenas um passeio pela ficção do séc. XX como se ela tivesse acontecido. Também há uma trama que liga todas as edições. Os Planetary possui um grupo de arqui-inimigos, “Os Quatro” (inspirados no Quarteto Fantástico, da Marvel), que também parecem estar atrás dos mesmos conhecimentos e objetos que o Planetary. Eles parecem saber o que aconteceu com “o quarto homem”, um amigo de Snow que ele busca saber o paradeiro, e reencontrá-lo.
Outra característica de Ellis com essa série, que pode deixar o leitor confuso na primeira leitura é a ordem cronológica de algumas edições. Eventos mostrados em uma edição só são explicados vários números depois, fora de ordem cronológica. Mas, passada a confusão inicial que isso causa, o leitor pode apreciar e se maravilhar com esses recursos dramáticos do autor.
O traço de Cassaday, realista e com poucas linhas, possui o perfeito ritmo com o roteiro, dando o estilo televisivo que uma série como essa pede. Sem grandes “recursos de impacto” chamativos, ele sabe usar o layout de página de forma correta, alternando páginas com muitos quadros com outros de página inteira, de acordo como o ritmo de leitura, e com o estilo da cena. Suas páginas nunca são cansativas. Pelo contrário, é difícil resistir á tentação de ficar vários minutos apreciando cada quadrinho.
Planetary já havia saído por aqui pelas editoras Pandora, Devir e Pixel, mas nunca completa. A edição final, nº 27, demorou anos para sair lá fora, devido aos atrasos dos autores.  Agora, a Panini relança a série completa em 4 encadernados. Pena que não há nenhum texto comentando as referências da série...  Fora isso, é um lançamento imperdível para leitores de HQs de qualidade requintada. Leia, nem que seja apenas para manter o mundo um lugar estranho!

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