Marcadores

TIRAS (599) HQ (143) INSPETOR (126) RESENHAS (111) CARTUM (39) LEITMOTIV (19) LEXY DRIVER (19) CONTOS (15) CINEMA (12) TEATRO (6) LEXY COMICS (5) ROTEIROS (4) ARTES PLÁSTICAS (3) FOTOS (2) PORTFÓLIO (2)

BOTÕES DE COMPRA

Comprar VIDA DE INSPETOR
Comprar LEITMOTIV

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

20TH CENTURY BOYS


Um dos melhores mangás em bancas atualmente. De Naoki Urasawa, o mesmo autor de Monster.
Leia minha resenha aqui: http://artecompipoca.net/index.php/20th-century-boys/, publicado originalmente em 2014.

20th CENTURY BOYS
Se eu puder eleger os dois melhores mangás em bancas brasileiras atualmente, escolho “Monster” e 20th Century Boys”, não por acaso ambos escritos e desenhados por Naoki Urasawa. Um dos mestres dos mangás adultos de suspense, ele cria tramas cheias de reviravoltas, e personagens críveis. Pra aqueles que não são leitores assíduos de mangás, e que torcem o nariz ao ver qualquer mangá juveni super colorido nas bancas, saiba que este é um mangá dirigido ao público adulto. Tanto a trama quando o estilo de roteiro e desenhos são diferentes dos mangás que são voltados apenas aos jovens. Aqui há uma história mais densa, narrada com a precisão necessária. E os desenhos procuram ser mais realistas.
Em 20th Century Boys (título tirado de uma música da banda setentista T-Rex, e que tem bastante a ver com momentos da história), a história começa no fim dos anos 90, quando Kenji Endo, um adulto dono de uma loja com a mãe e a sobrinha, que sonhava me ser um astro do rock acaba tomando conhecimento de uma conspiração política envolvendo todo o Japão, e talvez o mundo. Essa conspiração está sendo arquitetada por um político que nunca mostra o rosto, e é chamado apenas de “Amigo”. Fundador do “Partido da Amizade”, uma seita que utiliza como plano de dominação mundial as histórias criadas pelo próprio Kenji e seus amigos, quando eram crianças no final dos anos 60.  Os planos dos garotos eram se tornarem heróis, salvando o mundo de ameaças como robôs gigantes movidos a energia nuclear. Mas o “Amigo” vai usar esses planos para trazer mais pessoas para sua seita, e dominar o Japão.
Nas primeiras edições, o autor constrói a trama de conspiração ao mesmo tempo em que nos apresenta os personagens, em sua vida adulta, e sua infância, em flashbacks passados nos final da década de 60. Kenji acredita que o tal “Amigo” é uma das crianças de seu grupo, mas não consegue sequer lembrar detalhes de seu plano de salvar o mundo. E pra impedir os planos do “Amigo”, é preciso lembrar de todas essas informações. Uma verdadeira corrida contra o tempo, pois o plano do vilão tem data marcada para acontecer: a virada do milênio.
Essa é a trama dos primeiros volumes. Mas Urasawa narra com uma abundância de detalhes, e com uma construção perfeita de cada um dos envolvidos nela, que o leitor consegue sentir a vida de cada um dos personagens da história. Mesmo os que aparecem pouco. Ao mesmo tempo em que vamos conhecendo cada vez mais detalhes do passados dos garotos, tomamos conhecimento dos eventos que antecederam esse “fim do mundo” programado para a virada do milênio.
E, como um grande mestre da narrativa, em pouco volumes Naoki Urasawa dá um salto cronológico, e a história avança até o ano de 2014. Bem no momento em que o nosso grupode heróis iria investir contra o ataque do “Amigo”. Neste mundo “futurista”, o Japão está em paz. Tudo graças ao “Amigo”, considerado o grande herói do “Reveillon de Sangue”. E o Partido da Amizade domina o país, em um estado ditatorial disfarçado, quase como em 1984, de George Orwell. Nesse mundo, Kana, a sobrinha de Kenji é a nossa nova heroína. Ela sabe o que realmente aconteceu na virada do milênio, mas a princípio não pode fazer nada. Mas quando uma nova conspiração começa a se aproximar dela, a trama retoma sua narrativa de suspense.
E, quando acreditamos que a revista será agora apenas sobre a heroína em 2014, eis que novos flashbacks recontam o que aconteceu nos anos entre esse salto cronológico. Mas, ao contrário do que pode parecer a princípio, o autor não se perde, e não faz com a história fique dividida entre o antes e o depois do “Reveillon de Sangue”. Independente de qual tempo está sendo mostrado na trama, há um senso de unidade o tempo todo. O leitor que for fisgado nos primeiros números da revista, com toda a certeza vai querer continuar acompanhando até o final (como eu). Ao todo, a série possuirá 22 volumes, e no Brasil está sendo publicado pela Panini.

Nenhum comentário:

Postar um comentário