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terça-feira, 14 de outubro de 2014

SANDMAN - TEATRO DO MISTÉRIO


O Sandman da era de ouro, repaginado para os quadrinhos adultos do selo Vertigo, de volta às bancas nacionais pela Panini. 
(Texto originalmente publicado aqui:

Um dos meus títulos favoritos do selo Vertigo está de volta às bancas brasileiras. Apesar de poucas histórias terem saído aqui, esta é uma revista que eu recomendo pra todos que apreciam boas histórias. Pra quem não sabe, SANDMAN TEATRO DO MISTÉRIO é uma versão do Sandman original, criado em 1939. Sim, o personagem criado pelo Neil Gaiman é uma versão do detetive criado por Gardner Fox. Com o sucesso do personagem de Gaiman, e a criação do selo Vertigo ente os leitores adultos, os editores resolveram trazer de volta outros personagens “esquecidos” da editora, com uma nova roupagem, Um dos escolhidos foi o Sandman da era de ouro. Inicialmente escrito por Matt Wagner, e tendo cada arco feito por um desenhista diferente, suas histórias são voltadas pra um estilo policial mais realista. Todo o lado podre da sociedade americana da época é mostrado sem pudores.
A saga começa em 1938, quando os problemas políticos causados pela “Lei Seca” nos anos anteriores ainda se faziam sentir pela população. Entre esses problemas, a máfia, o preconceito racial e para com os imigrantes eram enormes, entre vários outros.  Nesse cenário, Wesleu Dodds, filho de um empresário recém falecido, volta de duas viagens pelo oriente, e se torna um vigilante nos moldes do Batman.
O lado mais interessante das histórias do personagem é o ponto de vista, quase sempre dos coadjuvantes especialmente de Dian Belmont, o interesse romântico do herói. Até mesmo quando o narrador da história é o próprio Wesley. É ela quem serve de ligação entre o leitor e os acontecimentos da cidade. O surgimento do Sandman, e as ramificações das ações da polícia e dos políticos nos eventos de cada história. Uma sacada genial dos autores.
Nesse primeiro encadernado da Panini , temos o arco “Tarântula”, que vai dos números 1 a 4 da série (e que haviam sidos publicados aqui nos números 1 e 2 da revista Vertigo, da Editora Abril, em 1995, e nunca republicados). A história começa coincidindo com a volta de Dodd aos EUA após a morte do pai, e seu eventualmente começo de carreira como Sandman, com o surgimento de um possível serial killer que ataca mulheres jovens, as tortura, e livra-se dos corpos mutilados pela cidade. Em uma trama cheia de reviravoltas interessantes, e um emaranhado de ligações entre os personagens, num mundo de segredos sórdidos e desejos proibidos, a investigação da polícia parece ser o que move essa primeira história, tendo o Sandman como um aparente coadjuvante de sua própria revista.
Matt Wagner nos brinda com um dos melhores roteiros de sua carreira, com uma trama simples, mas bem construída, sem apelações, nem reviravoltas mirabolantes ou abruptas. Mas o melhor deste Sandman é a construção de cada um dos personagens. Em poucas páginas, ele já nos dá pessoas críveis, com emoções e motivações reais. Até mesmo o sisudo e misterioso Wesley Dodds acaba por nos conquistar até o final desse arco.
E os desenhos de Guy Davis conseguem, com um traço diferenciado, nos transportar para a época como poucos artistas conseguem. Seu traço pode não agradar os fãs de desenhos mais tradicionais, “perfeitinhos”, mas pra quem sabe admirar arte, seu estilo transmite uma certa beleza. Um traçado solto, com personagens disformes, mas sempre constante, e cenários detalhados, mas cheio de rachuras. O artista não esteve presente nos dos arcos seguintes, mas acabou voltando como desenhista regular do título a partir do nº 13, quando também começou a parceria de Wagner com Steven T. Seagle nos roteiros.
A Panini está trazendo as histórias no mesmo formato das coleções de spin-off de Sandman, ou seja, capa dura, e com venda em bancas. Pena que eles decidiram publicar apenas um arco. Pelo preço, seria mais atraente se publicassem dois arcos por volume. Mas, apesar disso, o valor da história compensa. Espero que mais leitores também gostem do personagem tanto quanto eu, para que a editora publique todos os arcos. 

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