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terça-feira, 20 de maio de 2014
segunda-feira, 19 de maio de 2014
IMAGINÁRIOS - VOLUME 1
Na minha opinião, o mais louvável lançamento nacional do ano passado! Uma iniciativa que deveria ser feita por várias editoras. Leia a resenha do primeiro volume aqui:
Desde que comprei a HEAVY METAL
brasileira nº 1, de 1995, me apaixonei por revistas em quadrinhos mix, que são
nada mais que coletâneas com vários autores em histórias curtas. Pena que nem
sempre surgem boas revistas. A maioria dosa autores não sabem como contar uma
história completa em poucas páginas. Felizmente, isso não acontece neste
IMAGINÁRIOS EM QUADRINHOS –VOL 1. Aqui temos várias hq’s boas, produzidas com a
noção exata de como contar uma história, independente de quantas páginas ela
possui.
Publicada pela editora Draco, a
revista foi sabiamente organizada por Raphael Fernandes, que escolheu bons
autores com certo reconhecimento no meio artístico independente, que brindam o
leitor com histórias voltadas para o público adulto, sem recorrer a velhos e cansados
clichês, em histórias de ficção científica. Deve ser por isso que ela e
recordou os bosn tempos da Heavy Metal.
São 8 histórias de estilos
diferentes, mas sempre com a ficção fantástica como tema. Apesar de todas serem
excelentes, destaco algumas que mais me chamaram atenção:
ÔCH, de Rafael Salimena, uma divertida sátira futurista onde um
grupo de velhos rebeldes se revoltam contra o conformismo da sociedade, e são
atacados por isso;
NEGO NEMO E O TESOURO PORNÔ, de Jaum. História que mais me lembrou
uma HQ europeia, que mistura o lúdico e o absurdo ao mostrar crianças
descobrindo a sexualidade, em uma vila de pessoas que moram em um navio.
Estranho e maravilhoso! Contada de forma singela, com diálogos naturais, em uma
estilo bem típico de crianças;
APAGÃO, de Raphael Fernandes (roteiro) e Camaleão (arte), numa
realidade pós-apocaliptica, onde a energia elétrica acabou, e as pessoas vivem
em gangues saqueando tudo e todos, um jovem corre para encontrar uma bateria de
carro que pode ser a única chance de salvar a vida de um amigo. Nesta história,
chama muito a atenção o fato de o personagem viver em São Paulo, o que
imediatamente nos transporta com mais facilidade para a história.
VALKÍRIA, de Alex Mir (roteiro) e Alex Genaro (arte). A personagem
já é conhecida de Alex MIr, tendo estrelado várias hq’s em várias revistas.
Como eu até já comentei com o autor, antes de conhecê-la, imaginava uma versão
feminina do Conan, mas nada mais longe da verdade. Mir faz suas histórias com
um enfoque diferente do que se espera do gênero, e sua Valkíria possui mais
personalidade que muitos personagens do mesmo estilo. Aqui, ela, que vive em um
mundo “medievel-jurássico-fantástico”, encontra uma nave espacial, com um
astronauta sem boas intensões.
Mas, apesar do que possa parecer,
não estou separando essas histórias como as únicas boas. Pelo contrário. Elas
foram as que mais me chamaram atenção, mas toda são ótimas leituras.
E quanto á edição, a revista
possui 128 páginas, em um excelente papel, e ótimo acabamento gráfico. O design
da capa merece elogios, pois é algo chamativo e simples. E, pelo preço
oferecido, a relação custo/benefício é ótima. Uma HQ recomendada, com toda a
certeza.
E que venham os próximos volumes!
domingo, 18 de maio de 2014
sábado, 17 de maio de 2014
BATMAN STEAMPUNK
Leia aqui meu texto sobre as versões mais famosas do Batman Steampunk:
BATMAN STEAMPUNK
“Steampunk”. Essa palavra pode
ser desconhecida para os não iniciados no universo da ficção científica e
fantasia. Ela se refere à, basicamente, uma mistura do visual da era vitoriana
(séc XIX) com robôs, computadores e outros apetrechos futurísticos.
Muitos desenhistas tem feito
ultimamente versões steampunks de personagens conhecidos. Uma reinterpretação
deles com um visual do gênero. Até o Batman já ganhou uma releitura do tipo,
tenho certeza que o leitor já deve ter visto. Mas o que pouca gente sabe é que
o Homem Morcego já teve histórias Steampunk produzidas antes mesmo que o termo
e o gênero entrassem em “moda”. Vamos à elas:
GOTHAN CITY 1889.
Escrita por Brian Augustin, com
desenhos de Mike Mignola, e arte final de P. Craig Russel, esta história foi
uma das primeiras do selo “Elseworlds”, da DC, onde seus personagens eram
reinventados em outras situações, dimensões, épocas, o que desse na telha dos
escritores. Assim, em 1989, nas comemorações do 50º aniversário do personagem,
foi feita esta que é uma das melhores histórias do Batman, onde o Cavaleiro das
Trevas começa suas ações no final do séc XIX, mas exatamente em 1889. A
história segue o estilo do “Batman Ano Um”, do Frank Miller. Bruce Wayne chega
em Gothan após seus anos de treinamento na Europa, e se torna o Batman para
vingar a morte dos pais, e trazer justiça à cidade. Ao mesmo tempo, Jack, o
Estripador, começa a atacar as prostitutas da cidade. A população fica em
pânico, e alguns começa a achar que o próprio “Bat-man”(como é chamado pela
mídia da época) seja o estripador.
Uma dia, a polícia de Gothan
recebe uma carta anônima dizendo que Bruce Wayne é o estripador. Ao realizar
uma busca em sua mansão, eles encontram a arma do assassino nos pertences do
milionário, e ele vai preso. Agora, mesmo na prisão, ele precisa descobrir quem
é Jack, antes de ser enforcado pelos crimes que não cometeu.
Com uma arte maravilhosa do
Mignola (que mais tarde ficaria famoso como criador do Hellboy), o texto é
meticulosamente lento, dando a ênfase perfeita pra uma história de suspense na
linha de Conan Doyle ou Allan Poe que o tipo de aventura pede.
O MESTRE DO FUTURO
3 anos depois, foi feita uma
continuação. Ou melhor, uma outra história que se passa no mesmo “universo”.
Afinal, não há mais a ameaça do estripador, e muita coisa mudou, mas ainda se
passa na mesma época, e alguns eventos da história original são mencionadas.
Escrita pelo mesmo Augustin, mas com arte de Eduardo Barreto. A história
decepciona quem estiver procurando pelo mesmo estilo e clima da anterior. Se
antes tivemos uma história de suspense, agora, o estilo muda completamente.
Talvez uma nova comparação literária seria Jules Verne.
Meses depois do fim da aventura
anterior, Bruce Wayne está namorando, e pensando seriamente se deve ou não
continuar agindo como Batman. Gothan City está preparando uma feira mundial,
para celebrar a entrada no novo século. É quando surge o vilão que se auto
intitula “O Mestre do Futuro”. Ele diz que a feira não deve continuar, pois ele
veio do futuro, e viu que essa feira é apenas o início de um mal que cairá
sobre a cidade, e seus cidadãos. O prefeito decide ignorar o aviso, e dá
continuidade aos eventos, quando o “Mestre” começa então à atacar o local com
uma arma que usa os raios solares pra criar uma espécie de “laser”, por falta
de um termo melhor. Esse raio ataca várias casas da região. Agora, mesmo em
dúvidas, Bruce decide voltar a agir como Batman ao menos para combater esse
vilão.
Uma história que não tem nem o
clima, nem o estilo da anterior, como já mencionado. É tão diferente que se não
fossem os personagens citados, e o mesmo autor, poderia se dizer que se trata
de uma obra sem ligação alguma com ela. Por isso,pode ser uma grande decepção
pra quem espera por algo parecido com Gothan City 1889. Mas, sabendo que se
trata de outra história, e quem gosta do estilo dos escritores de ficção do Séc
XIX, dá pra se divertir bastante com esta história. Vendo hoje, ela é bem
parecida com o que Alan Moore empregou na primeira mini série da Liga Extraordinária.
BATMAN & HOUDINI: A OFICINA
DO DIABO
Esta, apesar de ainda apresentar
um Batman Steampunk, diferente das outras citadas acima, não tem ligação com
elas. É uma nova e independente história. Agora, Bruce Wayne vive em 1907.
Assim como em “Ano Um”, ele está voltando à Gothan ao mesmo tempo em que o
ilusionista Henry Houdini está em turnê pela cidade.
Narrado pelo mágico, a história
mostra o surgimento do Batman enquanto o rapto e assassinato de crianças que
são sequestradas por um sujeito albino que passa o tempo todo sorrindo. Mas há
algo mais sórdido por trás desses raptos. Algo até sobrenatural. Mas o bom da
história é que ela é contada de forma discreta, quase episódica, com um fato
levando á outro, e a narrativa vai crescendo aos poucos.
Escrita por Howard Chaykin (que
foi, na minha opinião, “O Garth Ennis dos anos 80”, e depois deu uma bela
sumida, e perdeu um pouco da sua força criativa com o passar dos anos), em
parceria com John Francis Moore, e arte pintada de Mark Chiarello, essa história
é tão interessante quando a primeira citada. Mistério e drama em doses iguais.
Só que com um pouco mais de aventura, como nos pulps.
São três histórias que valem a
pena serem lidas. Com certeza, o leitor que se aventurar pelos sebos em busca
dessas revistas, não vai se arrepender.
sexta-feira, 16 de maio de 2014
quinta-feira, 15 de maio de 2014
MORNING GLORIES
Leia aqui meu texto sobe esta série da Image Comics.
MORENING GLORIES
Lançado no final do ano passado,
este encadernado contendo as 6 primeira edições da revista originalmente
lançada pela Image Comics nos EUA é considerada uma das melhores séries novas
da atualidade. O roteirista, Nick Spencer, já se tornou um novo famoso do meio,
escrevendo para a Marvel.
Morning Glories conta a história
de um grupo de adolescentes que estão entrando em uma instituição de ensino que
é considerada uma das melhores dos EUA. Mas essa escola não é exatamente um
lugar de ensino tradicional. Os estudantes de lá passam pro provações quase
desumanas com objetivos secretos. O que
é essa escola? Porquê eles foram escolhidos? Porquê eles não podem sair de lá,
não podem ter contato com o exterior, e o mais importante: será que eles vão
sobreviver lá dentro?
Essa premissa básica não parece
nada de novo, pra quem conhece obras variadas com o tema. Até o recente filme
“Jogos Vorazes”, de certo modo, é um reflexo dessa influência “Orwelliana”. Assim
sendo, a princípio, essa HQ não apresenta nada de novo. Mas ao lê-la, descobri
que ela possui um tempero especial, que é o estilo do autor. Spencer consegue
fazer uma história cativante, que consegue prender o leitor. Mas o mais
importante, ele possui um bom ritmo, que se sobrepõe ao desenho. A arte de Joe
Eisma não tem nada de chamativo, chegando em certos momentos a ter um traço
primitivo, e amador, mas apesar disso, ele consegue seguir o ritmo narrativo
com competência, dando o clima que o roteiro pede.
Mesmo embora vários personagens
estejam desenhados de forma tão parecida que é preciso ficar atento à um ou
outro detalhe da roupa deles pra não confundi-los. E a arte final e as cores
também não ajudam, tudo com cara de amador mesmo.
Mas, voltando ao que eu disse
antes, o ponto forte é o roteiro. Apesar dos personagens seguirem os
esteriótipos de adolescentes vistos em seriados ruins de TV (mas que muitos
jovens adoram...), o ritmo da história flui muito bem. Além das influências
óbvias, é possível reconhecer um pouco de “Lost”, e até da quase desconhecida
série inglesa “O Prisioneiro”. Pra quem não conhece, vale a pena ir atrás dessa
série, que mostrava um ex-agente secreto que, ao se aposentar, era jogado em
uma ilha, para que seu conhecimento não caísse em mãos erradas. E, como ele, os
jovens dessa HQ não sabem o que esperar dessa escola. Além de saberem que não é
qualquer um que pode ser escolhido para estudar lá, e que não é permitido
nenhum contato com o exterior, eles logo descobrem que não estão lá por obra do
acaso, mas que provavelmente foram escolhidos um a um. Todos nasceram na mesma
data, por exemplo.
E, o dia a dia na escola é
passado mais com provas de vida ou morte, do que com educação tradicional. E,
pra deixar tudo mais misterioso, há um porão onde uma algo que pode ser o
resultado fracassado de alguma experiência é guardada.
Esse primeiro encadernado, como é
de se esperar, não dá muitas respostas, apenas apresenta as perguntas. Pra
atual “era da preguiça de pensar” de hoje em dia, talvez alguns leitores não
gostem de não ter todas as respostas, mas outros podem ficar muito interessados
em continuar acompanhando essa revista, assim como acompanhavam Lost.
Mas nem tudo nessa revista é bom.
Ao mesmo tempo que o roteiro é o maior mérito, ele também está cheio de
pequenos furos. O maior deles é quanto á passagem do tempo. A leitura do
encadernado segue rapidamente, cada capítulo é “colado” no seguinte de modo que
o leitor se sente obrigado a ler de uma tacada só, mas conforme vai lendo,
percebe-se que o tempo está passando, mas quanto tempo decorreu... Confesso que
fiquei perdido quanto à isso. É preciso saber ao menos se tudo aquilo mostrado
no encadernado aconteceu em uma semana, ou meses, ou foi tudo no mesmo dia (tô
exagerando,eu sei, mas é pra ilustrar o
problema).
Outro problema é uma necessidade
de tentar soar “pop”, e fazer diálogos cheios de citações. Algo que virou moda
ultimamente, muitos autores acham isso legal, mas quando não é feito
corretamente, fica chatíssimo. Digamos que Nick Spencer não tem a genialidade
do Brian K Vaughan... Toda citação que ele coloca na boca dos personagens é
explicativa demais. Há vários momentos em que, ao citar uma diálogo de filme, o
personagem que fez a citação fala o nome do filme. Tira toda a naturalidade da
cena, afinal, é o personagem explicando pro leitor de que filme é a citação.
De um modo geral, é uma boa
história, apesar desses defeitos. Eu não me interessei em continuar lendo, pois
não me identifiquei com os personagens, mas pra quem se interessa por uma HQ
diferente e misteriosa, é uma boa pedida.
quarta-feira, 14 de maio de 2014
terça-feira, 13 de maio de 2014
29º ANGELO AGOSTINI
Ângelo agostini
No último dia 02 de fevereiro, aconteceu a
entrega do 29º Prêmio Angelo Agostini, o Oscar dos quadrinhos nacionais. A
festa, juntamente com o HQ MIX, é um dos prêmios mais importantes dos
quadrinhos nacionais. E, particularmente, onde há mais calor humano, pois é bem
mais fácil encontrar e conversar com outros quadrinhistas, e fazer amizades.
Eu, particularmente, sou frequentador assíduo já faz alguns anos.
Neste ano, o prêmio se realizou no
Memorial da America Latina, em SP. A festa contou com uma excelente palestra
sobre a produção das hq’s do Trapalhões, com Otávio Barbosa, Eduardo Vetillo, Bira Dantas, Alexandre Silva
e Cidão Norberto, além de uma exposição com várias edições da revista, e artes
originais. Uma preciosidade pra quem se interessa pela história da indústria
dos quadrinhos.
Depois
tivemos a entrega dos prêmios para os vencedores da votação do ano passado.
Aliás, pra quem não sabe, essa votação é aberta pra qualquer um que queira
participar. Quem está sempre por dentro do mundo dos quadrinhos vai ficar
informado sobre os links com a cédula de votação, que a partir desta edição,
também se tornou on-line.
Além da
animada entrega dos prêmios, que é sempre divertida, onde todos os
apresentadores e convidados recebem os troféus com bom humor, havia uma banca
de venda organizada pela loja Comix, e o público era composto por muitos
quadrinhistas, entre os fãs. Era possível pegar autógrafos, fazer uma
caricatura, conversar, ficar amigos dos artistas, etc.
Além do
reconhecimento dos quadrinhos como forma de arte (inclusive no discurso de
abertura do presidente do Memorial, o cineasta João Batista de Andrade), o
Angelo Agostini é um modo de homenagear a história dos nossos quadrinhos, além
de prestigiar os artistas e claro, o público.
Ano que vem
tem mais, e nos vemos lá!
segunda-feira, 12 de maio de 2014
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