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segunda-feira, 19 de maio de 2014

IMAGINÁRIOS - VOLUME 1


Na minha opinião, o mais louvável lançamento nacional do ano passado! Uma iniciativa que deveria ser feita por várias editoras. Leia a resenha do primeiro volume aqui:


Desde que comprei a HEAVY METAL brasileira nº 1, de 1995, me apaixonei por revistas em quadrinhos mix, que são nada mais que coletâneas com vários autores em histórias curtas. Pena que nem sempre surgem boas revistas. A maioria dosa autores não sabem como contar uma história completa em poucas páginas. Felizmente, isso não acontece neste IMAGINÁRIOS EM QUADRINHOS –VOL 1. Aqui temos várias hq’s boas, produzidas com a noção exata de como contar uma história, independente de quantas páginas ela possui.
Publicada pela editora Draco, a revista foi sabiamente organizada por Raphael Fernandes, que escolheu bons autores com certo reconhecimento no meio artístico independente, que brindam o leitor com histórias voltadas para o público adulto, sem recorrer a velhos e cansados clichês, em histórias de ficção científica. Deve ser por isso que ela e recordou os bosn tempos da Heavy Metal.
São 8 histórias de estilos diferentes, mas sempre com a ficção fantástica como tema. Apesar de todas serem excelentes, destaco algumas que mais me chamaram atenção:
ÔCH, de Rafael Salimena, uma divertida sátira futurista onde um grupo de velhos rebeldes se revoltam contra o conformismo da sociedade, e são atacados por isso;
NEGO NEMO E O TESOURO PORNÔ, de Jaum. História que mais me lembrou uma HQ europeia, que mistura o lúdico e o absurdo ao mostrar crianças descobrindo a sexualidade, em uma vila de pessoas que moram em um navio. Estranho e maravilhoso! Contada de forma singela, com diálogos naturais, em uma estilo bem típico de crianças;
APAGÃO, de Raphael Fernandes (roteiro) e Camaleão (arte), numa realidade pós-apocaliptica, onde a energia elétrica acabou, e as pessoas vivem em gangues saqueando tudo e todos, um jovem corre para encontrar uma bateria de carro que pode ser a única chance de salvar a vida de um amigo. Nesta história, chama muito a atenção o fato de o personagem viver em São Paulo, o que imediatamente nos transporta com mais facilidade para a história.
VALKÍRIA, de Alex Mir (roteiro) e Alex Genaro (arte). A personagem já é conhecida de Alex MIr, tendo estrelado várias hq’s em várias revistas. Como eu até já comentei com o autor, antes de conhecê-la, imaginava uma versão feminina do Conan, mas nada mais longe da verdade. Mir faz suas histórias com um enfoque diferente do que se espera do gênero, e sua Valkíria possui mais personalidade que muitos personagens do mesmo estilo. Aqui, ela, que vive em um mundo “medievel-jurássico-fantástico”, encontra uma nave espacial, com um astronauta sem boas intensões.
Mas, apesar do que possa parecer, não estou separando essas histórias como as únicas boas. Pelo contrário. Elas foram as que mais me chamaram atenção, mas toda são ótimas leituras.
E quanto á edição, a revista possui 128 páginas, em um excelente papel, e ótimo acabamento gráfico. O design da capa merece elogios, pois é algo chamativo e simples. E, pelo preço oferecido, a relação custo/benefício é ótima. Uma HQ recomendada, com toda a certeza.
E que venham os próximos volumes!

sábado, 17 de maio de 2014

BATMAN STEAMPUNK


Leia aqui meu texto sobre as versões mais famosas do Batman Steampunk:


BATMAN STEAMPUNK

“Steampunk”. Essa palavra pode ser desconhecida para os não iniciados no universo da ficção científica e fantasia. Ela se refere à, basicamente, uma mistura do visual da era vitoriana (séc XIX) com robôs, computadores e outros apetrechos futurísticos.
Muitos desenhistas tem feito ultimamente versões steampunks de personagens conhecidos. Uma reinterpretação deles com um visual do gênero. Até o Batman já ganhou uma releitura do tipo, tenho certeza que o leitor já deve ter visto. Mas o que pouca gente sabe é que o Homem Morcego já teve histórias Steampunk produzidas antes mesmo que o termo e o gênero entrassem em “moda”. Vamos à elas:

GOTHAN CITY 1889.
Escrita por Brian Augustin, com desenhos de Mike Mignola, e arte final de P. Craig Russel, esta história foi uma das primeiras do selo “Elseworlds”, da DC, onde seus personagens eram reinventados em outras situações, dimensões, épocas, o que desse na telha dos escritores. Assim, em 1989, nas comemorações do 50º aniversário do personagem, foi feita esta que é uma das melhores histórias do Batman, onde o Cavaleiro das Trevas começa suas ações no final do séc XIX, mas exatamente em 1889. A história segue o estilo do “Batman Ano Um”, do Frank Miller. Bruce Wayne chega em Gothan após seus anos de treinamento na Europa, e se torna o Batman para vingar a morte dos pais, e trazer justiça à cidade. Ao mesmo tempo, Jack, o Estripador, começa a atacar as prostitutas da cidade. A população fica em pânico, e alguns começa a achar que o próprio “Bat-man”(como é chamado pela mídia da época) seja o estripador.
Uma dia, a polícia de Gothan recebe uma carta anônima dizendo que Bruce Wayne é o estripador. Ao realizar uma busca em sua mansão, eles encontram a arma do assassino nos pertences do milionário, e ele vai preso. Agora, mesmo na prisão, ele precisa descobrir quem é Jack, antes de ser enforcado pelos crimes que não cometeu.
Com uma arte maravilhosa do Mignola (que mais tarde ficaria famoso como criador do Hellboy), o texto é meticulosamente lento, dando a ênfase perfeita pra uma história de suspense na linha de Conan Doyle ou Allan Poe que o tipo de aventura pede.

O MESTRE DO FUTURO
3 anos depois, foi feita uma continuação. Ou melhor, uma outra história que se passa no mesmo “universo”. Afinal, não há mais a ameaça do estripador, e muita coisa mudou, mas ainda se passa na mesma época, e alguns eventos da história original são mencionadas. Escrita pelo mesmo Augustin, mas com arte de Eduardo Barreto. A história decepciona quem estiver procurando pelo mesmo estilo e clima da anterior. Se antes tivemos uma história de suspense, agora, o estilo muda completamente. Talvez uma nova comparação literária seria Jules Verne.
Meses depois do fim da aventura anterior, Bruce Wayne está namorando, e pensando seriamente se deve ou não continuar agindo como Batman. Gothan City está preparando uma feira mundial, para celebrar a entrada no novo século. É quando surge o vilão que se auto intitula “O Mestre do Futuro”. Ele diz que a feira não deve continuar, pois ele veio do futuro, e viu que essa feira é apenas o início de um mal que cairá sobre a cidade, e seus cidadãos. O prefeito decide ignorar o aviso, e dá continuidade aos eventos, quando o “Mestre” começa então à atacar o local com uma arma que usa os raios solares pra criar uma espécie de “laser”, por falta de um termo melhor. Esse raio ataca várias casas da região. Agora, mesmo em dúvidas, Bruce decide voltar a agir como Batman ao menos para combater esse vilão.
Uma história que não tem nem o clima, nem o estilo da anterior, como já mencionado. É tão diferente que se não fossem os personagens citados, e o mesmo autor, poderia se dizer que se trata de uma obra sem ligação alguma com ela. Por isso,pode ser uma grande decepção pra quem espera por algo parecido com Gothan City 1889. Mas, sabendo que se trata de outra história, e quem gosta do estilo dos escritores de ficção do Séc XIX, dá pra se divertir bastante com esta história. Vendo hoje, ela é bem parecida com o que Alan Moore empregou na primeira mini série da Liga Extraordinária.

BATMAN & HOUDINI: A OFICINA DO DIABO
Esta, apesar de ainda apresentar um Batman Steampunk, diferente das outras citadas acima, não tem ligação com elas. É uma nova e independente história. Agora, Bruce Wayne vive em 1907. Assim como em “Ano Um”, ele está voltando à Gothan ao mesmo tempo em que o ilusionista Henry Houdini está em turnê pela cidade.
Narrado pelo mágico, a história mostra o surgimento do Batman enquanto o rapto e assassinato de crianças que são sequestradas por um sujeito albino que passa o tempo todo sorrindo. Mas há algo mais sórdido por trás desses raptos. Algo até sobrenatural. Mas o bom da história é que ela é contada de forma discreta, quase episódica, com um fato levando á outro, e a narrativa vai crescendo aos poucos.
Escrita por Howard Chaykin (que foi, na minha opinião, “O Garth Ennis dos anos 80”, e depois deu uma bela sumida, e perdeu um pouco da sua força criativa com o passar dos anos), em parceria com John Francis Moore, e arte pintada de Mark Chiarello, essa história é tão interessante quando a primeira citada. Mistério e drama em doses iguais. Só que com um pouco mais de aventura, como nos pulps.

São três histórias que valem a pena serem lidas. Com certeza, o leitor que se aventurar pelos sebos em busca dessas revistas, não vai se arrepender.



quinta-feira, 15 de maio de 2014

MORNING GLORIES


Leia aqui meu texto sobe esta série da Image Comics.


MORENING GLORIES
Lançado no final do ano passado, este encadernado contendo as 6 primeira edições da revista originalmente lançada pela Image Comics nos EUA é considerada uma das melhores séries novas da atualidade. O roteirista, Nick Spencer, já se tornou um novo famoso do meio, escrevendo para a Marvel.
Morning Glories conta a história de um grupo de adolescentes que estão entrando em uma instituição de ensino que é considerada uma das melhores dos EUA. Mas essa escola não é exatamente um lugar de ensino tradicional. Os estudantes de lá passam pro provações quase desumanas com objetivos secretos.  O que é essa escola? Porquê eles foram escolhidos? Porquê eles não podem sair de lá, não podem ter contato com o exterior, e o mais importante: será que eles vão sobreviver lá dentro?
Essa premissa básica não parece nada de novo, pra quem conhece obras variadas com o tema. Até o recente filme “Jogos Vorazes”, de certo modo, é um reflexo dessa influência “Orwelliana”. Assim sendo, a princípio, essa HQ não apresenta nada de novo. Mas ao lê-la, descobri que ela possui um tempero especial, que é o estilo do autor. Spencer consegue fazer uma história cativante, que consegue prender o leitor. Mas o mais importante, ele possui um bom ritmo, que se sobrepõe ao desenho. A arte de Joe Eisma não tem nada de chamativo, chegando em certos momentos a ter um traço primitivo, e amador, mas apesar disso, ele consegue seguir o ritmo narrativo com competência, dando o clima que o roteiro pede.
Mesmo embora vários personagens estejam desenhados de forma tão parecida que é preciso ficar atento à um ou outro detalhe da roupa deles pra não confundi-los. E a arte final e as cores também não ajudam, tudo com cara de amador mesmo.
Mas, voltando ao que eu disse antes, o ponto forte é o roteiro. Apesar dos personagens seguirem os esteriótipos de adolescentes vistos em seriados ruins de TV (mas que muitos jovens adoram...), o ritmo da história flui muito bem. Além das influências óbvias, é possível reconhecer um pouco de “Lost”, e até da quase desconhecida série inglesa “O Prisioneiro”. Pra quem não conhece, vale a pena ir atrás dessa série, que mostrava um ex-agente secreto que, ao se aposentar, era jogado em uma ilha, para que seu conhecimento não caísse em mãos erradas. E, como ele, os jovens dessa HQ não sabem o que esperar dessa escola. Além de saberem que não é qualquer um que pode ser escolhido para estudar lá, e que não é permitido nenhum contato com o exterior, eles logo descobrem que não estão lá por obra do acaso, mas que provavelmente foram escolhidos um a um. Todos nasceram na mesma data, por exemplo.
E, o dia a dia na escola é passado mais com provas de vida ou morte, do que com educação tradicional. E, pra deixar tudo mais misterioso, há um porão onde uma algo que pode ser o resultado fracassado de alguma experiência é guardada.
Esse primeiro encadernado, como é de se esperar, não dá muitas respostas, apenas apresenta as perguntas. Pra atual “era da preguiça de pensar” de hoje em dia, talvez alguns leitores não gostem de não ter todas as respostas, mas outros podem ficar muito interessados em continuar acompanhando essa revista, assim como acompanhavam Lost.
Mas nem tudo nessa revista é bom. Ao mesmo tempo que o roteiro é o maior mérito, ele também está cheio de pequenos furos. O maior deles é quanto á passagem do tempo. A leitura do encadernado segue rapidamente, cada capítulo é “colado” no seguinte de modo que o leitor se sente obrigado a ler de uma tacada só, mas conforme vai lendo, percebe-se que o tempo está passando, mas quanto tempo decorreu... Confesso que fiquei perdido quanto à isso. É preciso saber ao menos se tudo aquilo mostrado no encadernado aconteceu em uma semana, ou meses, ou foi tudo no mesmo dia (tô exagerando,eu sei,  mas é pra ilustrar o problema).
Outro problema é uma necessidade de tentar soar “pop”, e fazer diálogos cheios de citações. Algo que virou moda ultimamente, muitos autores acham isso legal, mas quando não é feito corretamente, fica chatíssimo. Digamos que Nick Spencer não tem a genialidade do Brian K Vaughan... Toda citação que ele coloca na boca dos personagens é explicativa demais. Há vários momentos em que, ao citar uma diálogo de filme, o personagem que fez a citação fala o nome do filme. Tira toda a naturalidade da cena, afinal, é o personagem explicando pro leitor de que filme é a citação.
De um modo geral, é uma boa história, apesar desses defeitos. Eu não me interessei em continuar lendo, pois não me identifiquei com os personagens, mas pra quem se interessa por uma HQ diferente e misteriosa, é uma boa pedida. 

terça-feira, 13 de maio de 2014

29º ANGELO AGOSTINI


Ângelo agostini
No último dia 02 de fevereiro, aconteceu a entrega do 29º Prêmio Angelo Agostini, o Oscar dos quadrinhos nacionais. A festa, juntamente com o HQ MIX, é um dos prêmios mais importantes dos quadrinhos nacionais. E, particularmente, onde há mais calor humano, pois é bem mais fácil encontrar e conversar com outros quadrinhistas, e fazer amizades. Eu, particularmente, sou frequentador assíduo já faz alguns anos.
Neste ano, o prêmio se realizou no Memorial da America Latina, em SP. A festa contou com uma excelente palestra sobre a produção das hq’s do Trapalhões, com Otávio Barbosa, Eduardo Vetillo, Bira Dantas, Alexandre Silva e Cidão Norberto, além de uma exposição com várias edições da revista, e artes originais. Uma preciosidade pra quem se interessa pela história da indústria dos quadrinhos.
Depois tivemos a entrega dos prêmios para os vencedores da votação do ano passado. Aliás, pra quem não sabe, essa votação é aberta pra qualquer um que queira participar. Quem está sempre por dentro do mundo dos quadrinhos vai ficar informado sobre os links com a cédula de votação, que a partir desta edição, também se tornou on-line.
Além da animada entrega dos prêmios, que é sempre divertida, onde todos os apresentadores e convidados recebem os troféus com bom humor, havia uma banca de venda organizada pela loja Comix, e o público era composto por muitos quadrinhistas, entre os fãs. Era possível pegar autógrafos, fazer uma caricatura, conversar, ficar amigos dos artistas, etc.
Além do reconhecimento dos quadrinhos como forma de arte (inclusive no discurso de abertura do presidente do Memorial, o cineasta João Batista de Andrade), o Angelo Agostini é um modo de homenagear a história dos nossos quadrinhos, além de prestigiar os artistas e claro, o público.
Ano que vem tem mais, e nos vemos lá!