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sábado, 9 de janeiro de 2016

A CURIOSA HISTÓRIA ENTRE O VIAJANTE DO TEMPO E A MOÇA DO PASSADO



1893.
Ela se considerava uma mulher à frente do seu tempo. Não suportava as ideias conservadoras de sua época, as dificuldades de se realizar pequenas tarefas, e o modo como as pessoas viviam. Ela queria mudar as coisas. Queria ter outro estilo de vida. Sabia que era preciso mudar pra não morrer. Assim são feitas as revoluções. Assim é a vida.

Um dia, ela o conheceu. O viajante do tempo. Vindo do século XXI. O ano preciso, ele não quis revelar. Apenas que era do final do século. Ela se encantou com ele, com seu jeito de ser, suas ideias e modo de vida. E principalmente por ele respeitar uma mulher de ideias avançadas.

Ele estava apenas de passagem pra conhecer o passado, não pretendia se interessar por uma mulher daquele período de tempo, afinal, pra ele, acostumado com as mulheres modernas, não iria se dar bem com uma provinciana. Mas ela tinha um quê de diferente, que o atraiu. Ficaram amigos, com pretensões de algo mais.

Ele falava do futuro, das mudanças na sociedade. Ela adorava adivinhar alguma mudança, e ficava encantada quando sua previsão chegava perto da realidade do futuro. Mas em pouco tempo, algo parou de funcionar. Ela parecia perder o interesse em saber como as coisas tinham mudado no futuro. Fora suas adivinhações, ela não parecia realmente interessada em ouvir as histórias dele sobre o mundo do amanhã. Quando ele falava, ela rebatia com algo que, na sua concepção, mostrava que o passado era melhor. Não era desagrado pelas inovações, mas desinteresse mesmo. A chatice de antigamente fazia parte de seu ser, de uma forma que ela não imaginava.


Então, devido à falta de interesse dela em saber mais sobre o futuro o fez parar de falar sobre isso. Acabado o período de férias do viajante, ele voltou ao seu tempo. E assim terminou essa história, sem um presente satisfatório. 

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

sábado, 14 de dezembro de 2013

CRÔNICA DE AMOR, VÔMITO E CATARRO (NÃO NECESSARIAMENTE NESTA ORDEM)



Não é uma droga quando o espirro vem de repente, e não conseguimos nem nos preparar pra ele? O espirro pode atingir uma velocidade de até 160 Km/h. Imagina a força com que o ar é “empurrado” durante um espirro? E a cara que a pessoa faz quando espirra? Mas o pior é o mal estar momentâneo causado por um espirro forte. Deixa a pessoa desequilibrada. Isso se deve ao fato de que alguns órgãos do nariz, olhos e ouvidos estarem interligados, e acabam interagindo durante um espirro.
Deve ser por isso que várias culturas antigas acreditavam que o espirro era algo sobrenatural.
Mas o ruim mesmo é quando você está gripado. O espirro pode vir acompanhado de certas substâncias que você não estava a fim de ver. Sim, estou falando de mucosa. E quando esse espirro acompanhado vem de uma vez, e não te dá tempo de pegar o lenço, nem de colocar a mão na boca. E o catarrinho vai-se como um míssil, com a potência que os 160 Km/h dão à ele. Um verdadeiro “espirro expectorante”!
Imagina que você está no metrô. De pé.  E sai o catarrinho espirrado. E bem na sua frente, uma moça bonita, com o braço esticado, segurando na barra de ferro do vagão. Já deu pra imaginar onde o catarrinho vai acertar? Sim, no baço dela. Que situação constrangedora. 
E moça sente algo no braço, e se vira. Ela faz cara de nojo, e olha pra você.
-Me desculpa, moça! Ai, meu Deus! Me desculpa, saiu sem querer. Desculpa, eu não tive a intenção. Não deu pra segurar. Ai, nossa, me desculpa.
Imediatamente, você saca seu lenço, e começa a limpar o braço dela. Enquanto isso, ela olha pro braço com a pior cara de nojo do mundo.
Sentir seu braço com uma gosma encrustada nele é uma sensação ruim. Tudo é tão rápido, que você nem pensa na hora, mas enquanto uma pessoa está limpando o muco de seu braço, a cena se desenvolve em câmera lenta em sua mente. A mucosa pausando em seu braço, e o pano sendo passado em cima dele depois. Você sabe que ele está sendo limpado, mas a sensação é a de que a mucosa está sendo espalhada por todo o seu corpo. Não é o que está acontecendo, mas é o que passa por sua cabeça. E por seu estômago. 
Você nem olha pra cara de envergonhado do rapaz, nem ouve as palavras de desculpas dele. Seu mundo se torna verde. Mesmo que a mucosa não seja verde, mas amarela, o verde toma conta de você. Vai de seus olhos pra dentro de seu cérebro, e depois desce até seu estômago. Você não consegue controlar mais o que acontece no interior de seu corpo, nem tem tempo de raciocinar.
Você apenas lembra de virar o corpo para um lado onde ninguém esteja, e abaixar a cabeça, para despejar o vômito no chão.
Claro, você lembra disso alguns segundos tarde demais!
O rapaz recebe um banho de vômito em seu baixo ventre, sujando a borda de sua camisa, e as calças. A maior parte do conteúdo é líquido. Afinal, quem consegue ingerir sólidos quando se acorda muito cedo. Você até tenta, e olhando para aquele caldo todo, você nota que não mastigou direito as fatia de pão. E que talvez tenha bebido muito café com leite. Tudo está da cor de café com leite. O que será mais forte, o café ou o leite? Será que o rapaz vai pensar “ainda bem que a maior parte disso é líquido?”, ou vai apenas ficar com nojo, e vomitar de volta em cima de mim?
- Estação terminal Palmeiras – Barra Funda. Desembarque pelo lado direito do trem.
O casal, que todos os dias precisa se acotovelar pra conseguir desembarcar com conforto, dessa vez desembarcou sem problemas, pois os outros passageiros procuraram ficar a maior distância possível deles.  Um belo casal, ambos sujos, após compartilharem seus resíduos corporais em público. Ele tentando se segurar pra não vomitar, ela meio grogue após regurgitar seu café da manhã.
Ele ainda foi cavalheiro, e ajudou ela a ir até próximo a uma parede. Ela parecia meio zonza, ele achou melhor espera ela se recuperar.
- Você está bem?
- Sim, estou melhorando. – Disse ela. Ela percebeu que ele estava muito sem graça. Mesmo com as calças e camisa sujas, com uma mancha enorme no local onde seu jato de vômito o havia atingido. Apesar desse infortúnio, ele tentava ser gentil.
Ao notar isso, ela tentou esboçar um sorriso. Uma viscosa baba de saliva e suco gástrico se formou no canto da sua boca. Mas apesar disso, ele a achou encantadora. Era um sorriso sincero.
Ele sorriu de volta.
Os dois ficaram sorrindo como dois bobos um para o outro. E um do outro. Era engraçado ver a cena. Começaram a rir. Riam um com o outro, e um do outro. 
Após um tempo, a gargalhada parou. Ele ficava uma graça com aquele jeito meio tímido de olhar pra ela, como se quisesse olhar pra todo lado, menos pra ela, mas estava tão envergonhado pelo que ocorrera que achava melhor continuar olhando-a. E ela era tão bonita, que mesmo com baba no canto do lábio, e com um pedaço de alguma coisa colado no queixo, continuava linda. 
- Hã... Aceita tomar um café comigo? Se você não estiver atrasada, claro.
- Aceito, sim. Eu preciso mesmo de um novo café.
Novas risadas.
E assim começa uma história de amor, mas daqui pra frente, eu não tenho interesse em narrar. Não tem a mesma graça, nem o mesmo romantismo.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

CRÔNICA DE UM ROUBO ELEGANTE




Lá estava eu, ajudando a organizar os livros da biblioteca infantil. Adoro ver os livros que nossas crianças estão lendo, mas gosto mais ainda de ver os quadrinhos que estão sendo distribuídos pra ela.
A maioria é Turma da Mônica, claro.
Mas no meio dos gibis da turminha, havia uma edição das Tartarugas Ninjas. Eu nunca li, mas ouvi dizer que é bem interessante. Eu era fã do desenho animado. Não me fiz de rogado, parei a arrumação, só pra folhear essa HQ.
Então, falei pra bibliotecária:
- Hã... Tem certeza que este gibi aqui faz parte do acervo?
- Acho que sim. Porque?
- Bem, me parece inapropriado... Quer dizer, tem até alguns palavrões...
- Palavrões?
- É.
- Ah, bem, então, não deve ser da biblioteca. Talvez alguém tenha esquecido aí, e misturaram.
- Ah. Deve ser mesmo. Isso aqui não é pra crianças mesmo. Olha só os palavrões...
Folheei a revista, olhando pra bibliotecária.
Folheei.
Folheei a revista.
Folheei. E olhei pra bibliotecária.
- É, tem mesmo várias cenas com palavrões...
Ela, sem parar o que fazia, falou:
- É, deve ser de alguém que esqueceu, e provavelmente, nem vai vir buscar. Você gosta?
- Sim, adoro quadrinhos. Faço coleção.
- Então, pode pegar esse pra você.
- Valeu.
E assim, uma edição das Tartarugas Ninjas entrou pra minha coleção. Do modo mais elegante que alguém poderia surrupiá-la, não concorda?
Cowabunga!

quinta-feira, 15 de março de 2012

MICROCONTO: NAVEGAR IMPRECISO



MICROCONTO: NAVEGAR IMPRECISO


Aí, você tá navegando pelo facebook.
Aí, você tá fuçando pelo perfil de um amigo.
Aí, você vê que uma amiga dele comentou uma postagem dele.
Aí, você nota que ela parece bonita.
Aí, você vai no perfil dela, e vê que ela é gostosa.
Aí, você vai no álbum de fotos dela, claro.
Aí, você vê várias fotos dela que comprovam que ela é um espetáculo!
Aí, você vê uma foto dela dançando funk com outras amigas.
Aí, se você for como eu, você broxa na hora.
E vai pra outra página.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O MACARRÃO COM QUEIJO DE DONA ANGELA


(ilustração: Marcos Roberto Moreira)

Dona Angela é uma mulher fisicamente atraente, para a idade que tem. Isso porque ela cuidava de sua saúde. Não era excesso de vaidade, como podemos supor, mas apenas zelo com seu bem estar. Isso a tornava uma mulher com aspecto jovial. Atrativo este que despertava a atenção dos homens de todas as idades. Com pouco mais de quarenta anos de idade, ela tinha uma forma física invejável à muitas mulheres mais jovens. E, embora não fosse do tipo de exibir o corpo, sempre o fazia de forma inconsciente, pois sempre usava roupas justas. Suas formas não eram avantajadas, mas eram bem delineadas, o que chamava atenção de qualquer homem. E uma das razões de ela se manter em forma era, em grande parte, ao seu espírito jovem. Dona Ângela passava seu tempo livre no clube, praticando esportes. Adorava jogar vôlei. E foi numa partida de vôlei que ela conheceu Fábio.
Fábio, um rapaz de vinte e poucos anos, era do tipo que atraía as mulheres mais velhas, sabe-se lá o porquê. Talvez por que ele sabia falar bem, sem o uso de gírias que faz os jovens parecerem ser de algum país do Oriente Médio. Estudante universitário. Cursava artes plásticas. Queria ser professor de educação artística. Coincidentemente, ele estudava na mesma Faculdade que Lídia, filha de Dona Ângela.
Lídia cursava radiologia. Talvez seja esse o fator que fez com que eles nunca tivessem ficado muito amigos. Eles estudavam em prédios separados, e na verdade só se encontravam no ponto de ônibus. Eles viam juntos no mesmo ônibus, e após se encontrarem em uma festinha da faculdade, onde alunos de vários cursos se encontravam pra praticar todo tipo de atos que não cabe aqui descrever, eles acabaram se tornando colegas. Mas não muito íntimos. Para ela, Fábio era uma boa compania na volta pra casa, pra não dormir dentro do ônibus, e perder o ponto. Só. Apesar de ele ser um cara divertido, e ter uma conversa agradável. Nada além disso.
Além das artes plásticas, Fábio também gostava de vôlei, e foi assim que ele conheceu Dona Ângela. Eles jogavam juntos várias vezes. Sempre que se viam no clube, na verdade. Formavam uma boa dupla. E logo ficaram muito bons amigos. A ponto de ela se chamar apenas Ângela pra ele. O “Dona” era formal demais, e na cabeça de Fábio, não combinava com aquela mulher que possuía um espírito tão jovem. E ela até gostava dessa intimidade. A fazia se sentir mais jovem, modo que toda mulher gosta de se sentir.
Eles começaram com as conversas de praxe sobre Lídia, a faculdade, os outros amigos dela, etc. E, aos poucos, foram ficando amigos, e o assunto mudou de direção. Para Fábio, era ótimo ficar amigo da mãe de Lídia. Ele achava Lídia uma garota linda, e adoraria namorar ela. Namoro sério, pois Fábio não era o tipo de rapaz que pensava nas garotas apenas com desejos sexuais. Ele pensava em outras coisas mais sérias. Além desses desejos.
Assim, Fábio passou a freqüentar a casa de Dona Ângela.
A primeira vez que Fábio entrou na casa de Dona Ângela foi apenas pra acompanhá-la porque estava indo na casa de um amigo que morava ali perto. Ela o convidou pra tomar um suco, ele aceitou, e a conversa rendeu quase uma hora até ele se lembrar do amigo. Mas depois disso, ele passou a visitar a amiga de vôlei sempre que ela o convidava. E ela o convidava sempre. Pra ele, tudo bem. Uma chance de ficar mais perto de Lídia. Quem sabe, a partir do momento que a garota convivesse mais com ele, ela conheceria um lado nele que poucos homens de sua idade possuem. Ela notaria como a vida adulta não é feita pra se desperdiçar com carinhas que só pensam em baladas, e turbinar o carro pra fazer barulho.
Fábio acreditava que, ficando amigo da mãe dela, ele acabava conhecendo melhor sua suposta “pretendente”. Aprenderia mais sobre ela, do que ela gostava, como ela se divertia, essas coisas que um homem precisa saber para poder convidar uma garota pra sair com a certeza de que ela vai aceitar.
Assim, com o tempo, Fábio passou a ser uma visita constante. O almoço aos domingos não era o mesmo sem a presença dele. Ele aparecia todos os domingos. Na verdade, Dona Ângela o convidava todos os domingos, e ele aceitava. Ela fazia um macarrão com queijo que era maravilhoso. Quando uma mulher faz um macarrão daqueles, não há homem que resista. E Fábio não resistiu. Foi paixão à primeira garfada. Ele passou a ser o admirador número 1 do macarrão com queijo dela. Tanto que, em pouco tempo, ele passou a ajudá-la na cozinha, e aprendeu a fazer um macarrão com queijo muito bom.
Mas nunca tão bom quando o dela, como se pode imaginar. Afinal, assim como os mágicos, um gourmet nunca revela seus truques.
Ângela adorava passar todo aquele tempo com Fábio, seja jogando vôlei, seja preparando o macarrão, ou qualquer outra coisa. Ela adorava a amizade dele, e ele adorava a amizade dela. Aquela amizade fazia bem para os dois. Pra ele, era como er aulas de como se portar com uma mulher; Para ela, era uma forma de conhecer a juventude atual, e se manter em dia com assuntos jovens.
Os dois ficaram tão bons amigos que conversavam sobre qualquer coisa. E a intimidade entre eles cresceu. Os vizinhos de Dona Ângela começaram a comentar essa relação dos dois. Para Ângela, bem que os comentários poderiam ser verdadeiros, já que Fábio até que a atraía sexualmente. Ela sentia uma vontade de fazer coisas com Fábio, que só não a impulsionavam à atacá-lo por medo da reação que ele poderia ter. Acabaria com a amizade, talvez.
Para Fábio, até que não seria nada mal se ela o atacasse. Já que Dona Ângela, como já foi mencionado, era uma coroa deliciosa. Chamá-la de coroa era até ofensivo. Ele sempre admirava discretamente certas partes do corpo dela, principalmente quando ela se abaixava para pegar algo do forno. Várias vezes, depois do vôlei, ele pensou em sugerir fazer uma massagem nela, pra relaxar. Mas ele nunca fez a proposta. Tinha receio de isso atrapalhar suas intenções com Lídia. Um triângulo amoroso com a mãe de sua pretensa namorada poderia ter um final desastroso.
Mas Lídia nem ligava pro relacionamento entre Fábio e sua mãe. Ela deixava sua mãe livre pra viver a própria vida. E, enquanto isso, vivia sua própria, saindo aos domingos com as amigas, e, algum tempo depois, arrumando um namorado. Ela ficava o dia inteiro fora...
Ela arrumou um namorado igual à todos os namorados da atuais garotas: feio, burro, e metido a melhor que os outros homens. Parecia um jogador de futebol. E não era fã dos três patetas, pois não entendia as piadas... Esse era o rapaz que fazia com que uma garota linda e inteligente com Lídia se sentisse atraída para a procriação da humanidade...
Assim, os domingos passaram a ter apenas Fábio e Dona Ângela em casa. Eles conversavam sobre tudo, depois iam pra cozinha, preparar o macarrão com queijo.
Sem Lídia em casa, eles aproveitavam pra tomar vinho junto ao macarrão. E a conversa assumia tons mais adultos, se é que o leitor me entende.
Mas, embora os vizinhos já tivessem como certo que os dois passavam as tardes de domingo brincando de “Jack e Rose”, o receio de Dona Angela em ter um relacionamento com um rapaz bem mais jovem; e o receio de Fábio em atrapalhar seus planos com Lídia ao ficar com a mãe dela, fazia com que os dois não passassem dos pequenos carinhos amigáveis. Nem a tal massagem acontecia...
E, o triângulo amoroso que Fábio imaginou que seria entre ele, a mãe e a filha, acabou sendo entre ele, Dona Ângela e o macarrão com queijo. Bem, ao menos, o macarrão com queijo de Dona Ângela era tão delicioso quanto a própria.

sábado, 28 de maio de 2011

MÁCULA, de Lidiane Santana


Conheça o livro de poesias MÁCULA.
Escrito por Lidiane Santana, ela que é provavelmente a melhor poetisa da atual geração. Pois suas poesias são contudentes, não é pra quem curte rimar amor com flor, nem falar de passarinhos voando.
E o melhor: Com ilustrações minhas.

Você compra o livro exclusivamente pelo site:
http://www.clubedeautores.com.br/book/43769--Macula

E pra conhecer outroas trabalhos dela, acesse seu blog:
http://roseira-brava.blogspot.com/

sábado, 5 de fevereiro de 2011

FORA DOS TRILHOS

Um ca pítulo apócrifo do futuro livro JERÔNIMO DECIDE MORRER.
Este capítulo que escrevi está tão ruim, que não vai entrar. MAs ele foi escrito apenas como forma de protesto contra uma coisa que aconteceu nos bastidores.
Enjoy it:


Jerônimo Resolveu ligar a TV. Uma forma de dar adeus ao mundo. Ele quer ver o mundo cretino que vai deixar pra trás. Um mundo, que, com toda a certeza, não irá sentir sua falta.
Ao zapear, ele pára em um canal que nunca parou: o de notícias. Geralmente, Jerônimo é o tipo de quarentão que só assiste o canal de desenhos animados e seriados dos anos 60. Fã de Zé Colméia, Manda chuva, Jornada nas Estrelas, Perdidos no Espaço, sabe como é. Ele não gostava de perder tempo com as notícias sanguinolentas que os sádicos adoram.
Mas desta vez, ele resolveu parar pra ver. Aumento um pouco o volume. O apresentador atiçava a curiosidade dos incautos:
“É impressionante, os trens estão todos parados, nenhum trem circula em nenhum sentido, enquanto os técnicos da policia cientifica estão no local, retirando o cadáver do que restou da pobre vitima. Apesar de ainda não termos a identificação do suicida, nossas fontes descobriram que foi sim suicídio. Segundo algumas pessoas que estavam na plataforma, a pessoa estava com um semblante entristecido, e esperou o trem chegar perto, pra poder se jogar. Repetindo, ainda não temos o nome do suicida, mas nossos repórteres estão no local. Vamos passar ao vivo para Thiago Zanatas. É com você, Thiago!”
“Isso mesmo, Paulo! O suicida é uma mulher. Ainda não temos nenhuma informação sobre a identidade dela, e os motivos que a levaram a se jogar debaixo de um trem em movimento, mas segundo o que pudemos apurar, ela se matou devido a problemas pessoais. Isso mesmo! Problemas pessoais! Segundo os especialistas aqui presentes no local, ela pode ter se matado devido a algum problema com o namorado, provavelmente, ela foi deixada por ele. Os detetives vão começar a investigação pra ver se ela tinha problemas com o namorado. Se ela não tiver namorado, os detetives vão investigar se por acaso ela tinha problemas familiares, ou no ambiente de trabalho. Ainda é cedo pra dizer se ela usava drogas, mas após os exames toxicológicos, os peritos vão ter alguma base para sustentar essa teoria...”
“Mas espera aí, Thiago. Os policiais já tiraram o corpo dela debaixo das ferragens?”
“Estão tirando agora, Paulo. O sistema operacional dos trens teve que interromper todo o sistema de transporte ferroviário pra pode mover o trem, e retirar o que sobrou do corpo da moça...”
“É uma moça, ou mulher, Thiago?”
“Ainda não dá pra saber, Paulo, pois ainda não temos confirmação da idade dela. Mas tudo leva a crer que é uma mulher, jovem, pouco mais que uma moça, bem jovem. Mas pode ser que já tenha seus mais de 30 anos, Paulo”
“Muito bem, Thiago. Mas e como ficam os passageiros dos trens, numa hora dessa?”
“Ainda não temos informação Paulo, mas os passageiros terão que esperar pela policia científica terminar todas as suas averiguações, pra pode liberar os trilhos. Pois sem a liberação dos trilhos, os trens não poderão circular, Paulo.”
“Olha lá! Thiagô! Eles estão tirando o corpo dela agora?”
“Sim, Paulo. Eles estão retirando o corpo dela agora neste exato momento. È uma imagem muito forte para os telespectadores. O corpo está colocado em vários recipientes, devido ao fato de estar em pedaços. Eu vou tentar falar com o chefe dos peritos, pra ver se conseguimos alguma outra informação, Paulo.”
“Ok, Thiago.”
“Caro telespectador, é uma tragédia. Eu não tenho palavras. O que leva uma mulher, uma jovem, a se jogar, a dar cabo da própria vida, se jogando nos trilhos do trem. Eu não tenho palavras. Eu fico chocado em ter que lhes dar esse tipo de notícia, meu caro telespectador. Mas, infelizmente, este é o meu trabalho, levar informação a você que está aí em casa. E vamos agora com Mônica Matos, que está conversando com os técnicos do Sistema operacional de trens, que vai nos fornecer informações sobre com ficará a circulação de trens, pra você que depende desse meio de transporte pra se locomover de seu trabalho pra sua casa, ou pra sua faculdade, ou... Bem, é com você, Mônica!”
“Isso mesmo, Paulo, Estamos aqui com o chefe do sistema operacional dos trens, que está neste exato momento aqui dando uma entrevista coletiva sobre a circulação dos trens, Pois o que aconteceu aqui, o suicídio da garota parou todos os trens da linha, que é uma das linhas mais importantes da região metropolitana. Vamos ouvir o que ele tem a dizer”
“Vai lá, Mônica, enquanto isso, nós acabamos de receber um boletim, que acharam nos bolsos da jovem suicida um livro de poesias, a polícia vai verificar se tinha algum bilhete suicida dentro do livro...”
Zap
Outro caso de suicídio nos trilhos? Por tantos insistem e dar um fim a sua vida assim? E por que a TV dava tanta atenção a isso? Chega! É insano continuar vendo esse tipo de programa cretino. Se Jerônimo tivesse que se matar após ver TV, com certeza, ele preferiria ver algo como um filme do Herzog, como o Ian Curtir fez; ou algum episódio do Chaves.
Mas até que esse programa o fez chegar a uma conclusão: se jogar nos trilhos do trem é uma forma de suicídio muito cretina.
Causa uma confusão dos diabos pra quem nem tem nada a ver com seus problemas como ele já havia contatado por experiência própria; pára todo o transporte; e, pra piorar, faz com que um imbecil como esse apresentador de TV fique falando merda.
Jerônimo prefere o método que já escolheu desde que acordou. Um tiro. É rápido, preciso, e não causa alvoroço. Se ele fosse um roteirista de cinema, diria que essa morte é, dramaturgicamente, a melhor e mais prática pra a sua apoteose.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

ATRÁS DA ESTANTE

Leitor hipócrita! Sente prazer em tirar entretenimento do sofrimento de seus semelhantes! Dedica-se à leitura de contos de terror apenas para encontrar a ruína de pobres almas atormentadas por horrores terríveis.
Não venha negar esta verdade! Você não se importa com a vida dos personagens. Sente-se satisfeito apenas com a danação deles.
Olhe para seu íntimo e se pergunte se não é verdade. Se não o fosse, o leitor daria alguma importância à breve existência de Roger Ramos? Não, nunca. Mesmo agora, sabendo de sua existência, pouco lhe importa quem ou o que ele foi.
Pobre publicitário curioso; Dedicado à sua profissão, passava horas noite afora, trabalhando em sua casa, desenhando storyboards pra comerciais de tv. Horas essas cuja solidão de solteiro só era aplacada pela presença de Elvis, seu gato de estimação.
Elvis era um gato alegre, brincalhão, e curioso. Qualidade esta que chega a ser irônica, revendo o que aconteceu posteriormente. Roger possuía o gato há pouco mais de um ano, metade do tempo em que morava em sua casa própria, depois de alguns anos dividindo um apartamento alugado com um colega de faculdade. Ele se considerava um homem abençoado por ter conseguido um emprego numa agência publicitária tão logo terminou a faculdade.
Roger não imaginava o que o futuro lhe reservava.
Apesar de ainda não ter encontrado o amor de sua vida, Roger sempre dedicava alguns minutos de seu tempo na agência para conversar com uma secretária que lá trabalhava. Loira, cabelos curtos, seios que saltavam aos olhos quando ela ia ao trabalho com blusas decotadas. Roger pensava em convidá-la pra sair, "tomar alguns drinques, dançar, ir ao cinema, essas coisas", enquanto desenhava. Ele estava fazendo o storyboard de uma propaganda de cerveja. Pessoas bebiam numa praia. Ele pensou em desenhar a bela secretária. Colocar o rosto dela em uma das mulheres que bebiam cerveja. Depois, mostraria pra ela, que se sentiria lisonjeada, o que facilitaria pra ele conquistá-la. Ele até imaginava a cena:
-Veja só o que fiz ontem.
-O que é? Outro storyboard? - Diria ela.
-Sim, dê uma olhada!
-Bonito! - Diria ela, enquanto admirava os desenhos. Você é um excelente desenhista!
-Veja o rosto desta moça!
Ele apontaria para a loira de cabelos curtos usando biquíni, e com uma lata de cerveja na mão. Ela ficaria espantada por um segundo, depois sorriria admirada.
-Sou eu?
-Sim, é você. Gostou?
-Claro.
Então, ele diria o quanto a acha atraente, e o porquê de tê-la desenhado. Ela se encantaria, e ele a convidaria pra sair.
Mas, e se ela se sentisse constrangida por ter sido retratada de biquíni? E se seus seios estiverem desenhados maiores do que são realmente? Como reagiria?
Ao pensar nisso, decidiu desenhar todas as mulheres do storyboard com cabelos compridos, a maioria com cabelos pretos.
Terminados os desenhos, Roger pousa o lápis na prancheta e olha as horas. 1 hora da manhã. "Até que acabei cedo, hoje". Ele baixa o olhar para Elvis, que estava ao lado da estante da sala, olhando pela fresta entre a estante e a parede. Roger chamou o gato pelo nome, que, ao ouvir, desviou-se do que fitava e foi até seu dono, esfregou-se em suas pernas, e começou a ronronar.
-Um lanchinho antes de dormir? Que tal?
O gato então miou, como se houvesse compreendido o que o dono sugeria e lhe estivesse respondendo afirmativamente. Então, os dois se dirigem até a cozinha, o gato mais apressadamente, quase derrubando o dono, fazendo-o tropeçar em seu corpo. Roger então coloca um pouco de ração no prato de Elvis, e em seguida serve-se de um copo de leite e duas fatias de um bolo que sua mãe lhe trouxera no último domingo. E foi dormir.
***
Na noite seguinte, Roger trouxe mais trabalho pra casa. Ao abrir a porta e entrar na sala, seu olhar caiu diretamente em Elvis, que novamente estava ao lado da estante, olhando pela fresta entre ela e a parede. Ao ver o dono, Elvis abandonou o que fazia e correu para suas pernas, esfregando-se.
Roger deixou suas coisas numa escrivaninha, e foi até a cozinha dar comida para o gato. Em seguida, foi tomar banho. Isso era apenas uma parte do seu ritual quando chega em casa. Depois do banho, um lanche. Um pouco de tevê ("não perco Jornada nas Estrelas por nada", ele diria), o jantar, e só então, ao trabalho. Mais um storyboard, mas pra outro comercial.
Enquanto desenhava, Roger pensava na secretária; cada dia ela parecia mais encantada ao conversar com ele. Por isso, ele não dava atenção ao gato, cuja cauda balançava de um lado para o outro, demonstrando uma certa impaciência com o que observava atrás da estante.
A certa altura, Roger se levantou para ir ao banheiro. Quando faz isso, Elvis costuma se levantar e correr na mesma direção, se precipitando na frente do dono, e indo até a cozinha, imaginando talvez que receberia mais um pouco de comida. Desta vez, ele não fez isso, tão entretido que estava com o que quer que houvesse atrás da estante.
Roger sequer percebeu desta vez; Apenas quando saiu do banheiro, e não viu o gato no corredor, voltou para a sala e viu o gato, concentrado no que fazia.
-Elvis...
Mas o gato não desviou seu olhar, apenas mexeu as orelhas na direção do dono, que sem dar maior atenção ao gato, voltou para sua prancheta, para terminar seus desenhos. "Provavelmente, deve ter uma lagartixa, ou barata, encurralada lá atrás", pensou, "Os gatos às vezes parecem ter um poder de hipnose em suas presas. "Quando morava com seus pais, Roger teve um gato que hipnotizava baratas, deixando-as por horas imóveis num canto da casa, como se estivessem mortas. Elas só voltavam a se mover quando alguém mexia nelas.
Naquela noite, Roger terminou seu trabalho à 1:27 da madrugada, se levantou e foi pra cozinha tomar um copo d'água antes de ir dormir. Elvis não o seguiu. Ficou a fitar o vão entre a estante e a parede.
***
Sexta-feira, último dia útil da semana. O dia favorito de todo trabalhador. E, naquela sexta-feira, as coisas foram ainda melhores para Roger. Ele ouviu a linda-loira-gostosa secretária dizer "claro, eu adoraria!" para ele.
-Ótimo. Então, nos encontramos às 7 hs da noite lá.
-Vou adorar!
Depois disso, Roger voltou pra casa, contente, pois ele tinha um encontro com uma garota linda, e sentia que agora iria ter um compromisso sério. Chega de só "ficar". Isso é coisa pra adolescentes.
Para ter o fim de semana todo dedicado à garota, Roger decidiu terminar seu trabalho naquela mesma noite. Desenhou até pouco mais de 2:00 da madrugada. Havia pouco trabalho naquela noite, mas durante todo o tempo, Elvis o incomodava.
A princípio, o gato apenas olhava para o espaço atrás da estante. Mas depois começou a mexer a cauda impacientemente. Mas a atenção de Roger só foi despertada quando o gato começou a colocar sua pata no vão, como se tentasse pegar algo.
Roger começou a desviar sua atenção dos storyboards para o gato. Se não fosse por isso, teria terminado mais cedo. Quando então o gato começou a miar, Roger não conseguiu mais se concentrar nos desenhos.
Felizmente, um storyboard não precisa ser uma obra de arte. Mas mesmo assim, ao terminar de fazê-lo, deu uma olhada, e concluiu que, no dia seguinte, precisaria fazer uns retoques em várias pranchas. E o gato ainda miava.
***
Ao se levantar no dia seguinte, Roger planejava começar o ritual do fim de semana, que consistia em arrumar a casa e lavar roupa, a começar logo após o café da manhã.
Elvis estava na sala, ainda a fitar atrás da estante. Da cozinha, Roger podia vê-lo, enquanto passava margarina na torrada. A cauda se mexendo convulsivamente. Roger mordia a torrada. O gato olhava fixamente para o vão. Roger o observava. O gato começou a miar. Roger ficou curioso. O gato miava.
Ao terminar de tomar café, Roger decidiu ver o que havia atrás da estante que deixava Elvis perturbado. Ele iria arrastar o maldito móvel, e ver o que tinha atrás. Só esperava que não fosse uma barata. Seria uma merda perder tempo por causa de uma barata.
Primeiro, Roger desplugou da tomada a tevê e o dvd. Tirou os aparelhos e os colocou no sofá. Em seguida, os livros, depois os poucos enfeites e retratos. Retirou tudo o que havia na estante, com Elvis a miar no seu ouvido. Depois, arrastou a estante, afastando um dos lados da parede o máximo que pôde. Havia um buraco na parede, próximo ao chão. Um enorme buraco.
Elvis, num impulso, pulou para atrás da estante, entrando pelo buraco. Devia ser um buraco fundo, pois o gato sumiu por ele. Roger tentou impedi-lo, chamando seu nome, mas não conseguiu.
Roger pegou uma lanterna, se colocou de quatro atrás da estante, engatinhando até o buraco. Ele olhava pra dentro do buraco, grande o suficiente pra caber uma pessoa, chamando por Elvis. Como o gato não respondia a seu chamado, Roger entrou pelo buraco, atrás dele.
Naquela noite, às 19:50, uma linda secretária, loira e furiosa, deixou o restaurante onde estava, decidida a dar uma bronca no homem que a deixou esperar quase uma hora em um encontro, que seria o primeiro entre eles. Mas ela não teve oportunidade, pois nunca mais o viu. Na verdade, ninguém nunca mais viu ou soube que fim levou Roger Ramos, ou Elvis.
A polícia, chamada semanas depois pela mãe de Roger, encontrou o buraco na parede, escavou o chão da casa, o quintal próximo à parede, e não encontrou nenhum vestígio deles.
Pra onde eles foram? Algum dia voltaremos a ter notícias deles? Quem se importa? Você, com certeza não. Você, como leitor, está apenas satisfeito por ter acompanhado mais uma tragédia. Imaginando qual será a próxima história de terror que vai ler. Provavelmente esperando que haja muito mais horror, violência e danação do que nesta.
Já foi dito que lê-se histórias de terror fictício pra fugir do terror real.
Mas acho que alguns leitores são apenas sádicos.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

ACONTECEU NO ÔNIBUS

nOTA:
Um conto erótico, meio estranho, que escrevi à um tempinho.Espero que você não se deixe levar pela inverossimilhança.Afinal, erotismo é brincar com a imaginação.

ACONTECEU NO ÔNIBUS
Todo dia é a mesma rotina, e isso cansa. Deixa qualquer um estressado. Por isso, acho ótimo quando acontece algo inusitado, pra quebrar minha rotina. Como certa vez, quando vi algo no ônibus, ao voltar do trabalho.
O ônibus estava, de certo modo, "vazio". Ninguém em pé, poucos bancos ocupados, a maioria na área central do ônibus. Eu entrei, e sentei no último banco, pra fugir de conversas idiotas de pessoas vazias. Quando estou num ônibus, me distraio olhando pala janela, vendo as fachadas das lojas e casas, lendo as placas, olhando as mulheres gostosas que passam na rua, etc. Mas, naquele dia, uma outra coisa me chamou a atenção.
Eu estava, como disse, no último banco, na fileira "do outro lado do motorista". Exatamente do outro lado, havia um casal de namorados. Estavam se beijando. Geralmente, eu não fico reparando em casais que se amassam por aí (não sou careta, não vejo nada de errado nisso. Até faço isso, quando estou namorando), mas dessa vez, eu reparei.
Primeiro, dei uma olhadela de leve, desviando o olhar rapidamente. Mas voltei a olhá-los. Notava principalmente ela, a garota, que usava uma saia curtíssima, que deixava à mostra suas coxas. E que coxas! My god! Eu só havia visto uma perna daquelas em modelos de filmes pornô europeus. O rosto dela também era uma maravilha. Uma mistura de Liv Tyler com Nicole Kidman, e os lábios da Angelina Jolie. Os seios, firmes e arredondados, quase pulavam pra fora do decote. E os olhos dela...(enquanto eu me encantava com a maravilha que era seu corpo) os olhos dela me encaravam.
Desviei o olhar rapidamente, olhando o que estava do lado de fora. Ouvi uma risadinha (era da garota. Até a risada era sexy). Arrisquei outro olhar. Os dois me olhavam, sorrindo. Dei um sorriso meios em graça, que foi retribuído com um beijo de língua deles (na verdade, o rapaz enfiou a língua pela boca dela, que acariciava com os lábios a língua do namorado). Eles nem se importavam com a minha presença.
Como pareciam ser um casal de exibicionistas, continuei observando, sem receio deles. Ao tirar a língua da boca da namorada, o rapaz foi descendo sua língua pelo queixo dela, indo até seu pescoço. Ao mesmo tempo, suas mãos firmes iam se esfregando pelas costas e cintura dela. Ela colocou uma perna no colo do rapaz, praticamente se deitando em cima dele. Em seguida, olhou pra mim, um olhar tão excitante, tão cheio de lascívia, tão provocante, que deixou meu pau quase estourando minha calça. Todo o tesão que ela sentia, demonstrava com aquele olhar pra mim.
Se a garota queria que eu sentisse seu tesão (e eu realmente sentia), o rapaz parecia ter se esquecido que estava em um ônibus. Ele desceu sua boca do pescoço dela até os seios, então, beijou-os. Depois, com um leve puxão da blusa dela, deixou um mamilo à mostra. Que mamilo! Quase gozei ali mesmo! Era bem rosado, contrastando com aquele seio de uma pele branca como leite. O bico era bem pequeno, mas bem pronunciado pra frente. O rapaz encostou a ponta da língua nele. Depois, começou a mamá-lo como um bebê na mãe.
A garota, me olhando provocadoramente, levou uma mão até a saia, abriu as pernas, me deixando ver sua calcinha, Meu tesão aumentava cada vez mais. Meu suor escorria por minhas costas.
O rapaz começou a mamar no outro seio. A garota se colocou no colo dele, de frente pra ele. O seio que tinha sido acabado de ser chupado estava bem no meu campo de visão. E que visão!
Então, a garota tirou a mão de sua xota, e começou a brincar com esse mamilo. Tocava-o, beliscava-o, sempre olhando pra mim.
O rapaz parou de mamá-la, e ela cobriu os seios, e só então, eu pude notar que sua outra mão estava dentro da braguilha do namorado, masturbando-o.
Ele levou a mão até o meio das pernas da namorada, e puxou a calcinha dela, que desceu até o meio de suas coxas com uma facilidade que me surpreendeu (provavelmente, eles já têm experiência em se exibir).
Então, eu me levantei. Eles me olharam com uma expressão do tipo "finalmente você decidiu se juntar à nós". Mas eu puxei o sinal para o ônibus parar. Fui até a porta sem olhar pra eles. Quando o ônibus parou e as portas se abriram, desci no meu ponto.
Naquela noite, quase não consegui me concentrar em meus afazeres, ou na tv. Só pensava no casal se exibindo. Antes de dormir, me masturbei pensando naquele casal, em como seria participar de uma foda com eles. Gozei como nunca havia gozado em uma masturbação antes.
Eu nunca esqueci daquele casal, e acho que nunca esquecerei. Mas infelizmente, nunca mais os vi.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

AGORA, CHEGA!

Estou cansada!
Já suportei demais este casamento! Anos e anos de aflições e tormentos! Porquê fui me casar com o maior filho da puta que conheci? Ele pensa que sou um animal? Que ele é meu dono? Não! Eu sou uma mulher! Um ser humano! Eu tenho todo o direito de ser livre, e fazer o que eu quiser da minha vida. E, se estou cansada deste casamento,posso muito bem me livrar disso. Por bem, ou por mal.
Não aguento nem mais um dia vivendo dessa forma, como uma vitima de um ditador. Um homem (que nem merece ser chamado de homem)que não ama ninguém, além de si próprio. Você, no meu lugar, faria o mesmo que eu vou fazer.
Enquanto espero que ele chegue em casa, me lembro de todos os momentos que passamos juntos. Brigas, desentendimentos, traições, pobreza. Ou você aguentaria uma vida inteira vivendo na miséria, tendo que implorar pro marido até mesmo pra ele dar uns trocados pra comprar pão? Se ele dava dinheiro, dava reclamando, me chamando de gastadora. "Tem que aprender a economizar! Tá pensando que eu sou banco?"Enquanto isso, ele estava sempre bem vestido, dizendo que era a irmã que tinha dado a roupa nova. Pensando que estava enganando alguém.
Em todos os nossos anos de casados, ele nunca me contou quanto ganhava no seu emprego. Quando se aposentou, nunca me disse quanto recebia de aposentadoria.
Quem conseguiria viver com um marido que passa o dia fora, não diz pra onde foi ( embora hoje em dia,eu nem me importe ), e só chega em casa pra comer, dormir, e assistir a porra do futebol e a porra do jornal?
Até os nossos filhos o abandonaram, de certo modo. Eles trabalham, ou estudam. E, em momento algum se importam com o pai.
Algumas pesssoas, educadas por um conservadorismo hipócrita podem dizer que "eles estão errados, deviam retribuir tudo o que seu pai fez por eles", mas essas pessoas não nos conhecem. São o tipo de gente que julgam os outros com base em sua próprias vidas. Se é que suas vidas são perfeitas como eles dizem...
Mas eles dizem que meus filhos estão errados, e acham que eles não estão dando o devido reconhecimento ao que seu pai fez por eles. Mas é exatamente isso o que estão fazendo, retribuindo todo o desprezo que receberam de um pai que reclamava que os filhos não se vestiam direito, mas não dava um centavo pra eles comprarem uma peça de roupa.
Eu não culpo meus filhos, eu os entendo. Eu sempre lhes dei amor, e esse amor eles retribuem.
E agora,eu vou retribuir todo o "amor" que meu marido me deu. E quem me julgar errada,ao menos assuma sua hipocrisia.

O frango já está na panela. Coloco os temperos e a água na panela, ligo o fogo.
Depois, lavo a faca e coloco pra escorrer a água. Fico observando a faca, enquanto o frango cozinha.
Fico nervosa,amedrontada. Mas é preciso tomar uma decisão. Penso em tudo o que farei com a faca nesta noite. Não vou usar pra mais nada, então, pego ela e a enxugo.
Vou até o quarto, e coloco ela embaixo do meu travesseiro. Arrumo o travesseiro, pra ele não perceber nada. Enquanto saio do quarto, olho pro colchão. De cada lado, a marca funda de nossos corpos, com uma "divisória" mais alta no meio, representando anos de um casamento sem amor, sem carinho, sem toques de carícias.

***

Hora do jantar.
Jantei só, como sempre. Nenhum de nós precisa esperar pelo outro pra jantar juntos.
Depois que terminei, ouvi o barulho do carro. O maldito carro dele. Um carro velho, mas que ele gastava muito dinheiro com reformas e reposição de peças.
Ele guarda o carro. Entra em casa, se dirige até o fogão.
-A comida está quente?
-Tá.
-Cadê os meninos?
-Não vão dormir em casa hoje.
-E vão dormir onde?
-Na casa de algum amigo, ou de alguma namorada.
-Esses meninos não ficam mais em casa! Só sabem ficar saindo, gastando dinheiro com besteiras! Eles tem que aprender a cuidar da casa! Eu vou é parar de fazer as coisas pra eles, quero ver como eles vão se virar!
"Fazer as coisas pra eles"? Que coisas?
Esse cretino já passou da senilidade, só pode ser isso. Em sua mente distorcida, ele deve viver em um mundo imaginário.
Terminei de comer, e fui pro quarto. Ele terminou de comer, e foi pra sala, ver tv. Depois da tv, ele foi tomar banho. Eu fui me deitar. Ele saiu do banho e também se deitou. Eu pensei na faca embaixo do travesseiro. Ele começou a falar:
-É, esse mês a gente vai ter que apertar o cinto...
Ainda mais?, eu pensei.
-...o carro tá demorando pra pegar de manhã. Vou ter que trocar o carburador.
Ele continuava falando, e eu não ouvindo. Toda noite era a mesma coisa, ele só sabia falar da falta de dinheiro. Nós tínhamos uma casa que alugávamos, era o nosso ganha pão. Mas é como se a casa fosse só dele. Por isso, eu pensava na faca. Todos que tem uma casa pra alugar costumam viver bem, só nós que vivemos nessa merda!
Depois que ele parou de resmungar os problemas dele ( a única coisa que ele, como marido, dividia com a esposa...), ele se virou para o outro lado, pra dormir.
Eu fiquei esperando.
Eu esatava ansiosa, um pouco nervosa. Eu não ia dormir, mesmo que quisesse. Precisava ficar acordada, esperando ele dormir. Eu sabia quando ele estaria dormindo, assim que começasse a roncar. Eu ia esperar, e então, a faca ia ter um trabalhinho diferente esta noite.
Mas, infelimente, não foi o que aconteceu.
Eu peguei no sono antes disso.
Nem notei quando ele dormiu, e nem me lembro de ter ficado com sono. Só me dei conta de que havia dormido, quando acordei com ele me ciutucando, e me chamando:
-Acorda! Acorda!
-O que foi? Por que você tá me acordando?
-Eu tive um pesadelo! Sonhei que você estava me matando!
Olhei nos olhos dele. Ele parecia sincero.C om a cabeça, senti a faca embaixo do meu travesserio, do mesmo jeito que eu tinha colocado. Ele não tinha mexido nela.Tinha sido só um sonho mesmo. Me recuperei, e falei:
-E você me acorda só por causa disso?
Meu coração palpitava, mas eu fingia que estava calma, sem dar a mínima pra história dele. Eu não podia deixar ele perceber meu nervosismo.
-Parecia tão real...
Ignorei ele, e voltei pro meu lado. Ele voltou pro lado dele. Dormimos.
Mas, antes, não pude deixar de pensar na sorte que ele teve. Na sorte que alguns putos têm. Talvez exista algum "diabo da guarda" que protege os desgraçadamente maus.

(11.07.05)

terça-feira, 2 de setembro de 2008

NICTOFOBIA

NOTA: Este foi o primeiro conto que escrevi,por isso que está uma merda!


Terror.Essa palavra ecoa em sua mente,enquanto ela caminha pelas ruas e avenidas da cidade.Ela amaldiçoa seu chefe por pedir que ela fique até mais tarde;amaldiçoa a esposa do chefe por escolher dar a luz justo no horário normal de sua saída;e amaldiçoa o prefeito por não criar uma linha de ônibus que pare em frente à sua casa.
Não que isso seja totalmente confiável.Afinal,quantos ônibus não são invadidos todas as noites>E a cada dois ônibus assaltados,em um morre o motorista,no outro morre o cobrador.Por isso mesmo,o ônibus não aliviaria seu medo,seu terror.
Mas ela pega um ônibus mesmo assim.Ela não poderia atravessar toda a cidade a pé.
Ao descer do ônibus,a cerca da uma quadra para a rua onde mora,tentando não ser notada até o caminho de casa.
Não era uma rua deserta.Muito pelo contrário,havia pessoas,embora já passasse da meia noite.Também não era mal iluminada.Todos os postes tinham lâmpadas novas,que iluminavam muito bem.
Talvez esses sejam os causadores do terror.Afinal,cada luz sobre ela era como se disesse "Venham todos os predadores noturnos!Ela está soziinha e amedronatada!Uma presa fácil!"
O fato de haver pessoas na rua também não ajudava.Ao contrário do que se pensa,um lugar movimentado não significa segurança.Quando não há ninguém na rua,é fácil parar para ouvir se não há alguém te seguindo,ou mesmo escolher o lado da rua pelo qual andar.Mas essa rua,cheia de pessoas...
Um grupo de jovens pode tanto significar amigos namorando,quanto viciados usando drogas juntos.Ela poderia olhar para confirmar,mas se algum deles interpretar mal esse ato,ela se tornmaria uma vítima deles.
Ela não olha.
Ela desvia o olhar e continua caminhando.
Novamente,ela profere uma maldição.Desta vez ,aos seus sapatos.Cada "Clap" de seus saltos no asfalto são como sinos anunciando sua passagem.Novamente,ela se sente vulnerável. Principalemte ao ouvir passos atrás de si.São passos de tênis,abafados,como que tentando não se fazer ouvir.
Cautelosamente,ela apressa seus passos.Chegando em casa,ela estará segura.Mas os passos continuam atrás dela.
Em uma bar próximo,um carro de polícia estacionado.Por um momento,ela se sente a salvo.Como se as palavras "proteger e servir" a reanimasse.Por um momento.Apenas por um momento.
Ao se aproximar,ela vê os dois policiais.Ela ouve um deles comentar o formato esguio de suas pernas,realçadas pela meia calça preta,que,à luz dos postes,brilham com luxúria.Ela desvia e segue o seu caminho.
Por um instante,ela havia esquecido seu perseguidor.Ela se vira pra trás,e não o vê.Porém,ela ouvve o chiar de um portão enferrujado,o barulho de chaves,seguida da frase:
-Cheguei,mãe!-que dizia o "perseguidor".
Se não estivesse tão cansada,ela sorriria.
Por sorte,agora,ela estava segura.Agora,bastava chegar em casa.Estava próxima.Era apenas virar uma esquina e atravessar a rua.De onde estava,naquele momento,já dava pra ver o seu lar.
Ela então relaxa,e pensa no gato siamês que deve estar com fome.E,relaxada,ela não ouve o homem a esperando atrás de um poste,de tocaia.Ela aprenas sente a mão suada em sua boca,o corpo forte atrás de si,a ponta da faca em suas costas,e um hálito alcoolizado que sussurra:
-Quietinha,senão te furo!
Neste momento,o tempo parece parar,e uma palavra ecoa em sua mente:terror.

(outono/2000)

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

UM CONTO CURIAPEBANO

UM FATO MARCANTE NO VELÓRIO DO
PAI DE PROMONTÓRIO CAPELINO DE SOUZA

por Lexy Soares



Aquele dia não fora como os demais em minha vida.
Ele estava fadado a marcar definitivamente todo meu passado e futuro.
Eu, Promontório Capelino de Souza, tenho comigo que este é um dos dias que nunca vou me esquecer, é o dia em ele morreu.
Não que tenha sido um bom pai, muito pelo contrário, foi uma péssima pessoa. O tipo de homem que batia na mulher, e nem ligava pros filhos. Por isso, eu nem gostava dele. Mas nunca vou me esquecer do dia em que ele morreu.
Estava quente naquele dia, o tipo de calor que só quem nasceu no nordeste consegue suportar. Apesar de eu não ter sentido pena pelo falecimento de meu pai, tive que comparecer ao velório, claro, como manda a boa educação e respeito. Então, lá estava eu, andando de um lado pro outro, observando os parentes e amigos, que vinham me cumprimentar, e dar os pêsames. Eu fingia que estava sentindo pesar, pra não ser mal-educado.
Vários parentes que nunca vinham nos visitar estavam lá. Talvez pra se certificarem de que ele estava mesmo morto, não sei. Também tinha muitos amigos dele. Eu só ouvia comentários do tipo "Ele era uma ótima pessoa", "Ele vai fazer falta", "Um homem bom como ele não se encontra todo dia", Nem parecia que estavam falando do mesmo homem que eu conheci, que só falava comigo quando era pra exigir alguma coisa, e ai de mim se eu não obedecesse!
Num cantinho, uma tia chorava como uma bezerra desmamada, sempre com algum outro parente a lhe oferecer um braço como consolo, e um lenço limpo pra ela enxugar as lágrimas.



Como meu pai morreu,é mais um exemplo de como sua vida era devotada às besteiras inúteis.Ele morreu lutando por nosso jornalista Aristarco Vieira de Melo,o dono do jornal "Os Sertões",o qual meu pai,um leitor assíduo,comprava todos os sábados.E,assim como os fiéis da igreja Jesus Virá,Aleluia!...,meu pai acatava todas as opiniões contidas no jornal com se fossem leis absolutas.
E,por isso,quando Aristarco começou uma série de provocações contra o músico Talinho Malino de Menezes,meu pai,como um fiél seguidor do jornalista,falava mal do músico,mesmo que nunca tenha ouvido uma música sequer dele.
Aristarco,como a mairoria dos honens que conseguem grandes cargos na sociedade,usava e abusava de sua condição.Como dono do jornal,se fazia o responsável por tudo o que aconecia na cidade.Como se o fato de noticiá-las o tornasse o dono dos ocorridos.Quando um determinado evento ocorria na cidade,o sucesso,segundo ele, era consequência de seu empenho em exibir Curiapeba em seu jornal."Uma cidade só cresce quando sua história é registrada e noticiada!",ele costumava dizer.E,se alguém discordasse de qualquer coisa publicada,ou por qualquer outro motivo,se tornasse um desafeto do dono do jornal,ele publicava uma nota mencionando como a pessoa agia com má fé contra os modos da cidade.
E, como tambem acontece com homens de grande posição,ele arregimenta uma legião de cegos seguidores.Como meu pai.
Só de ler que Talinho estava misturando a música caribenha com a música brasilçeira,meu pai já esbravejava que isso era cuspir na cultura nacional,um desrespeito aos nosso verdadeiros costumes,e outras sentenças,repetidas quase exatamente como eram redigidas no jornal.
Foi isso que o fez ser morto,naquela tarde de sábado,na praça das boiadas,em meio àquela algazarra toda que se instalou no centro de Curiapeba.Foram socos pra um lado,pontapés pra outro,gente correndo e se escondendo.E duas mortes,entre as quais,meu pai.
Aristarco Vieria de Melo,o herói que meu pai defendia,após levar os primeiros sopapos dos defensores de Talinho,fugiu,e se escondeu nos fundos do bar do João Emílio Krauser,ele nem deve ter visto o que aconteceu, enquanto a população de Curiapeba demolia o centro da cidade,cada grupo defendendo um dos lados da bruiga.
Meu pai devia estar no bar do João Emílio,bebendo catilóia.Provavelmente,ele deve ter ficado enjuriado ao ver seu ídolo todo esfolado,e entrou na briga,que só acabou quando os tiros para o alto do coronel Benvindo dos Santos Arruda Real se fizeram ouvir.
Quando a poeira assentou,e os dois corpos foram levados para suas respectivas casas(coincidentemente,um dos mortos defendia Talinho,o outro,o meu pai,defendia Aristarco),as pessoas se fizeram sentir pelo jumento esfaqueado,mas os mortos,só as famílias sentiram,os outros,nem devem se lembrar que duas pessoas morreram ali.
O jornal Os Sertões,que meu pai tanto adorava,noticiou o fato,mencionou a morte do jumento,mas não mencionou nomes dos homens mortos.É isso que meu pai ganhou por ter entrado na briga de quem nem sequer o conhecia.Mas duvido que Aristarco iria ao velório de meu pai,mesmo que o conhecesse.
Mas ,vamos voltar ao que eu realmente quero contar sobre o velório de mau pai:


Eu estava cansado, e com calor. Não queria estar ali. Mas tinha que estar.
De repente, entra no recinto uma senhora, que eu não conhecia, acompanhada de uma moça lindíssima. Morena, com cabelos volumosos, lábios carnudos, que mais pareciam uma flor, olhos grandes, e um corpo cheio de curvas, do tipo que deixa qualquer mancebo de cabeça virada. Todos os homens que ali estavam olharam pra moça, apesar de ter que manter o respeito pelo finado.
A senhora entrou, aproximou-se para ver o corpo, e cumprimentou alguns dos presentes. E eu fiquei curioso em saber de quem se tratava.
Eu cheguei a minha mãe, mas, pra não dar na vista, usei de um pequeno subterfúgio:
- Mâinha, quem é aquela senhora que acabou de entrar?
- Num sei, não, meu filho. Dispois eu pergunto.
Enquanto isso, eu continuava curioso em saber quem era aquela moça tão bela.
Eu andava de um lado pra outro, sempre "esbarrando" em algum amigo do meu pai, ou algum parente, que me abraçava, ou apertava minha mão, se demorando por algum tempo, pra me contar alguma história vivida com meu pai, como se eu estivesse interessado. E, pra não ser mal-educado, eu fingia interesse. Mas eu nem sequer ouvia, meu olhar estava na moça. Eu dava uma espiada rápida, disfarçadamente, pra onde ela estava. Eu não queria perdê-la de vista. Queria aproximar-me dela, e perguntar quem ela era, como alguns dos homens já estavam fazendo. Mas eu tinha que dar atenção pra todos os parentes, tinha que fingir que estava sentindo a morte de meu pai, não podia me aproximar da moça sem dar na vista das pessoas.
Quando finalmente, me livrei do amigo de meu pai, e sua história fascinante de alguma aventura qualquer de adolescente com meu pai, meu olhar procurou a moça. Mas não a achei.
Droga! Eu a tinha perdido.
Mas ouvi a voz atrás de mim:
- Olá!
Virei-me, e lá estava ela, que me estendeu a mão.
- Meus pêsames pela morte de seu pai.
- Obrigado.
Retribui o aperto de mão. E não resisti em perguntar:
- Você conhecia meu pai?
- Não, eu não. Eu só estou aqui pra acompanhar minha tia. Ela conheceu o seu pai, quando ele era moço.
Ao dizer isso, ela deu um breve sorriso. Um lindo sorriso. Eu, então, aproveitei.
- Meu nome é Promontório Capelino de Souza. - eu disse, estendendo novamente minha mão.
- E o meu é Imbromélia Cromilda Adelaide. Muito prazer!
Depois disso, passamos o velório todo conversando, e nos conhecerndo melhor. Depois do funeral, combinamos de sair. Ficamos noivos em pouco tempo, e hoje, somos casados, e temos três filhos.
Por isso, sempre que chega o aniversário da morte de meu pai, eu agradeço. Ele pode ter sido um péssimo pai, mas pelo menos, sua morte foi um dia especial pra mim, pois foi onde eu conheci Imbromélia, a mulher da minha vida.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

O ENFORCADO

"Adeus,mundo cruel!"Sei que é uma frase batida,mas é a única coisa em que consigo pensar,enquanto faço os preparativos.Chega de ouvir a vaca da minha mulher,que só sabe se preocupar com a vida dos outros.Chega de filhos que mais parecem trombadinhas.Vou aproveitar que eles estão viajando,pra acabar com tudo.
Já escrevi o bilhete de despedida.Já escolhi uma extensão elétrica,e já escolhi o lugar da casa onde vou me enforcar.
Dobrei o bilhete,e o coloquei em cima da mesa da cozinha.Em seguida,me levantei,e peguei o fio.Fui até a sala.Olhei para o teto.Nossa casa era de telha,com vigas de madeira para segurá-la.As vigas pareciam ser fortes,talvez elas me aguentassem.Mas acho que é melhor testar primeiro.
Como vou subir pra testar?O sofá!
Subi no sofá,pensando em arastá-lo,mas no mesmo instante, vi que ele não tinha altura suficiente.Me lembrei da escada de armar que tínhamos.Ela estava na garagem.Fui até lá,para pegá-la.
Ao abrir a porta da garagem,contemplei todas as coisas amontodadas lá.Um monte de tranqueiras.Engraçado como eu nunca me dei conta antes do quanto lixo eu tinha.
O meu legado!Um monumento à burrice,à incompetência de um homem que nunca soube como fazer nada direito!
Peguei a escada e saí o mais rápido possível,envergonhado por perceber o que minha vida representava.
De volta à sala,coloquei a escada no centro e abri.Para posíocioná-la melhor precisei afastar a mesa de centro.Olhei para cima e subi.Sim,felizmente dava pra alcançar a viga.Desci e peguei a estensão.Subi novamente.Passei o fio pela viga,e me segurei nele,colocando todo meu peso no fio.Passou no teste da resistência.
Amarrei o fio na viga.Depois fiz uma força com a outra ponta.Passei a forca pelo pescoço,ajustei para ficar mais justo e garantir a minha morte.Por um momento,hesitei.Pensei em como será morrer;Se dói;Se existe vida após a morte;Em como será meu último momento de vida;Se todo suicida pensa nessas coisas antes de cometer o ato final;Pensei em tudo o que fiz na vida,e no que estou deixando pra trás...
Então,com um movimento da perna,dei um empurrão na escada,que tomnbou no chão,deixando meu corpo pendurado.
A primeira coisa que senti foi um aperto na garganta,causado pelo fio.Depois o aperto foi no pescoço todo,quando a forca se ajustou ao meu pescoço.Senti falta de ar,e o fio apertando minha mandíbula,
Meu corpo balançava de um lado par o outro.Então,fechei os olhos.E voltei a respirar.
Abri os olhos.Respirei.
Eu não acreditava.
Eu não morri!Ainda estou vivo!
A morte demora tanto assim?
Fiquei esperando.Nada.Continuava respirando.
Levei as mãos até o pescoço.O Fio estava prendendo minha mandíbula,mas minha garganta estava livre.Passei as mãos pelo fio.Algo devia estar errado.A forca estava presa,não dava pra desatar.Eu estava preso.Estiquei o braço pra cima,mas não alcançava a viga,pra desamarrar.Tentei gritar por socorro,mas com a mandíbula presa,não conseguia.
Então,me dei conta.Aqui estou,vivo,pendurado pelo pescoço no centro da sala de estar,sem ter como me soltar,nem como pedir ajuda.E a minha família só volta da viagem daqui à três dias.
Vão ser três longos dias...

(11.07.05)

terça-feira, 22 de abril de 2008

UMA MORTE NO TEATRO

Me considero um homem de bom gosto,cultural e intelectual.Leio e componho poesia;visito exposições dos mais variados artistas e escolas de arte,por toda a cidade;devoro os clássicos da literatura;medito ao som de música clássica e erudita;e vou ao teatro asssistir espetáculos semanalmente.Adoro teatro.Quando não há um espetáculo sendo encenado em minha cidade,vou à alguma cidade vizinha.Até mesmo já me dispus à escrever algumas peças ,que,infelizmente,não tenho contatos pessoais para torná-la um espetáculo encenado em algum teatro.
Como o leitor pode supor,sou um intelectual solitário.Pra mim,é até bom,pois não gosto de aglomerações,muito menos de estar acompanhado de alguém que falaria durante a apresentação,tirando minha concentração.Deste modo,quando ocorreu o fato que contarei a seguir,eu me encontrava sozinho.
A peça era uma ópera.
Gosto de me sentar longe do palco,de modo a poder admirar todo o espetáculo em meu campo de visão,sem precisar mexer muito o pescoço.então,naquela noite,lá estava eu,na última fila.
A casa possuia uma lotação satisfatória,o que me agradou.Eu já disse que odeio aglomerações,mas,como amante das artes,fico feliz quando vejo muitas pessoas prestigiando um espetáculo.E o teatro em que estávamos,eu nunca tinha estado entes.Me causou uma boa impressão.
O prédio também era muito bom.Novo.Limpo,poltronas macias.O teto parecia firme e seguro(ainda bem,pois seria uma tragédia se "o céu caísse sobre nossas cabeças").
A peça começou.todos em silêncio.Minha atenção,como sempre,no espétáculo.Nem as pesoas ao meu lado pareciam -me realmente estarem lá.
À um certo momento,desviei levemente minha atenção para algo que ahcei ver com o canto do olho.Um movimento nas sombras,no teto.Olhei para ver o que era.Não vi nada.Achei que poderia ser um morcego.Ou talvez fosse apenas minha imaginação,ou mesmo uma ilusão de ótica.Ainda assim,passei meu olhar por todo o teto,pelas armações de sustetação do teto e suporte das luzes.Não encontrei nada(afinal,o que teria lá pra ser encontrado?),e voltei minha atenção para a peça.Fiquei um pouco frustrado por ter desviado minha atenção dela,mesmo que por poucos segundos.Felizmente,eu já conhecia a peça,pois já havia visto outras encenações dela.
Mas fiquei curioso em saber o que eu tinha visto."Quando a peça acabar,e as luzes se acenderem,vou olhar novamente para o teto,em busca do que quer que fiosse que tirou minha concentração e atiçou minha curiosidade",pensei.
Um certo tempo depois,novamente algo no teto atraiu minha atenção.Pareceu-me que algo havia refletido um pouco de luz.Como minha curiosidade já estava maior que nminha atenção pela peça,fiquei olhando para o teto.Novamente,vi uma luz refletida levemente em algo pequeno.Muito pequeno.E se movia.E pareceu-me que havia um vulto grande perto desse objeto.O vulto estava nas armações.Pelo tamanho,acho que devia ser uma pessoa.
E o objeto pequeno que refletia a luz se mexia.De repente,já não via mais a peça.Era como se eu não estivesse mais lá,só o som da peça chegava aos meus ouvidos,mas eu não dava atenção.O objeto se movia,apontando para todo o teatro,como se estivesse procurando algo.Ou alguém.
O objeto era triangular.Pude notar quando ele apontou em minha dirção.Meu coração palpitava,minha respiração ficou mais rápida.O objeto parou em minha direção.Podia sentir que o objeto triangular apontava para mim.senti meu suor escorrer por minhas costas.Fiquei paralisado;Não conhecia as pessoas que estavam ao meu lado.Do meu lado direito,uma moça que estava abraçada À um homem,provavelmente seu namorado.Do meu lado esquerdo,um senhor de idade avançada,óculos na ponta do nariz,e o queixo apoiado no punho.A atanção totalmente voltada à peça.Eu não conhecia ninguem.Não sabia o que fazer.Não podia causar um escândalo.Fiz a única coisa que podia.Desviei meu olhar,de volta para a peça.
Mas não conseguia me concentrar nela.Só pensava no brilho triangular,que notava pelo canto do olho.O brilho triangular que apontava pra mim.O brilho triangular que desviou de mim.
Um pouca aliviado,olhei para as armações,e vi o brilho se desviando para o outro lado do teatro.Ao redor do objeto triangular,havia um brilho mais leve,em semi-círculo.Esse outro brilho foi mudando de forma,ficando mais ovalado,formando uma elipse.Então,o objeto triangular foi atirado com velocidade na direção do público.Ouvi um gemido abafado.
A peça continuou por poucos segundos.Enquanto isso,segui o vulto com o olhar até a parte das armações que ficava acima do palco.Então,o vulto sumiu por algum lugar.
De repente,um grito de mulher meio que me despertou do meu transe.Todos no teatro olharam na direção dela.Os atores,no palco,pararam de encenar,olhando pra ela.A mulher estava de pé,gritando histerica.As luzes se acenderam.Um homem havia sido flechado e morto.Nas circunstâncias,não seria apropriado dizer,mas me senti aliviado.Aliviado por não ter sido eu.
Quando a polícia chegou,as pessoas que não eram próximas do morto foram liberadas.Eu fui embora,sem sequer dar depoimento do que vi.
Eu não gosto de jornais sensacionalistas e sanguinários,por isso,não sei quem era o homem assassinado,nem o motivo do crime.Não me interessa saber.
E eu nunca mais voltei àquele teatro.