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sexta-feira, 9 de maio de 2014

NAÇÃO FORA DA LEI


Uma grande história de violência no coração da América. Leia sobre esta saga aqui:


NAÇÃO FORA DA LEI

Uma das melhores publicações lançadas no Brasil no ano passado, NAÇÃO FORA DA LEI, recentemente publicada aqui no Brasil pela Gal Editora é uma das histórias mais estranhas e ao mesmo tempo mais legais escritas por Jamie Delano. Um show de personagens muito bem caracterizados, cenas com o suspense e um absurdo humor negro dosadas na medida certa, violência explícita, ótimos diálogos, enfim, tudo o que se espera de uma boa história que prende o leitor está aqui. Mais conhecido no Brasil por ter escrito as primeiras edições da revista Hellblazer, onde vive o bruxo inglês John Constantine, ele já teve outros trabalhos publicados em nosso país, mas é mais lembrado pelas histórias do mago.
Este NAÇÃO FORA DA LEI é uma das obras que ele publicou no selo Vertigo, da DC Comics, mas depois foi republicada por outra editora. A revista, que possuiu 19 edições publicadas lá fora, não era pra ser uma mini-série, mas uma serie mensal nos moldes de Preacher, 100 Balas, e outras do selo. Mas a editora resolveu cancelar a revista, e ficaram apenas essas edições. Talvez, o motivo do cancelamento seja o estilo que Delano aplicou na história. Em entrevistas, ele deixou claro que sua proposta foi não ter um “grande objetivo” com a revista, e sim, ir escrevendo conforme sentisse vontade, deixando a própria história se levar. Lendo, passa a impressão de que realmente falta algo, e que esse estilo é um pouco estranho. Demora-se um pouco pra apreciar essa “esquisitice” como sendo o estilo da saga. Mas depois de se familiarizar com isso, é que o leitor passa a viver no mesmo mundo dos personagens. Um mundo sujo e pervertido, uma América que ainda vive sob os mesmos valores retrógrados de uma sociedade que parece ainda estar no velho oeste.
A história começa mostrando STORY JOHNSON, um escritor que se perdeu no Vietnã, durante a guerra. Anos depois, ele reaparece nos EUA, desmemoriado, e em busca de algo. Esse algo é o mote da história, que o leitor vai descobrindo aos poucos. A única coisa que ele faz é procurar por sua família. Essa família é composta de vários membros que, aparentemente, são imortais. E além disso, vários integrantes estão sendo mortos. Ao mesmo tempo, seu irmão, que achava que ele havia morrido na guerra, quer encontrá-lo e matá-lo.
Acrescente a isso personagens que podem ter saído dos livros escritos por Story, ou que inspiraram ele, e uma conspiração que envolve os poderes americanos, e uma violência explícita cheia de realismo e sadismo, e com um toque de humor negro à la Preacher, e você terá a ideia exata de como é esta HQ.
Aliás, falando em Preacher, em muitos momentos, ela lembra a obra de Garth Ennis. À primeira vista, parece que é só uma “ilusão” causada pelo fato de ambas terem um jeito “Road movie” de contar a história, mas NAÇÃO também é carregada no humor negro. E o próprio estilo de criar diálogos está bem “solto” e natural, lembrando muito pouco o Delano da época do Hellblazer. Mas esse “novo” Delano não é nem um pouco ruim, pelo contrário. Ele consegue se sair muito bem nessa experimentação, apresentando um trabalho que consegue superar muitos escritores do selo Vertigo.
O único “defeito” que encontrei enquanto lia, que nem é um defeito, mas faz parte desse estilo de experimentação, é a “lacuna” entre uma edição e outra. Para quem entende de dramaturgia, isso é a chamada “elipse”, o espaço de tempo entre um momento e outro da narrativa, onde não é mostrado o que acontece, mas o leito supõe o que ouve por motivos até meio óbvios. Pois o escritor faz com que, entre uma edição e outra, pareça que perdemos muito dos acontecimentos. No começo, é estranho. Quando se lê a edição seguinte, parece que “pulamos” algum capítulo. Confesso que demorei pra entender esse recurso. Mas quando entendi, passei a gostar. Deixa a HQ com uma “cara” de seriado de TV.
E quanto aos desenhos? Quem conhece a dupla Goran Parlov e Goran Sudzuka das histórias do Justiceiro Max, e Y – O Último Homem sabe que ambos são competentes, e tem um belo traço. Neste trabalho, mais antigo que os citados, eles estão bem parecidos um com o outro. O traço realista, mas limpo, e com um domínio perfeito da narrativa consegue fazer o leitor penetrar dentro do clima da história. E quando digo clima, estou dizendo o calor que o meio oeste americano deve possuir. Sim, você se sente como se estivesse realmente por lá.
E o lançamento no Brasil contou com a presença do autor, que esteve dando autógrafos e palestrando durante a Fest Comix do ano passado. Eu estive lá, e garanti meu exemplar autografado. A edição da Gal possui 11 capítulos do original, e o próximo terá os 8 restantes. Mas apesar de a história ser toda em sequência, como uma mini-série, o fim da primeira edição passa a impressão de fechar um “arco” da saga. Agora, é aguardar a conclusão da série, com o livro RUMO AO INFERNO, que será lançado em breve.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

O INESCRITO & SWEET TOOTH


Quando a Panini lançou as primeira edições dos encadernados "O Inescrito", e "Sweet Tooth", eu as li, e resenhei aqui:


O INESCRITO & SWEET TOOTH
Analisando os primeiros volumes das novas apostas da Vertigo da Panini no Brasil.

Com o fim de Y – O ÚLTIMO HOMEM, e EX-MACHINA, a Panini  Comics escolheu para substituí-las duas sereis do selo Vertigo pra dar continuidade às sereis de encadernados pra bancas. Tarefa difícil, visto que  as sereis terminadas eram excelentes histórias, cheias de criatividade e muito bem escritas. Pra substituição, não podem ser quaisquer coisas.
Nas edições 34 e 35 da revista mensal Vertigo a editora encartou duas ediõçes fac-símile em “formatinho” contendo trechos das edições nº 1 de cada uma delas. Minhas impressões iniciais, antes de ler (tanto esses fac-símiles quanto aos encadernados) eram de que SWEET TOOTH seria ótimo, e O INESCRITO não seria grande coisa. Nunca gostei de Mike Carey, o autor de O INESCRITO. Mas, ao ler, aconteceu justamente o contrário. Gostei bastante do trabalho do Carey, e achei o do Jeff Lemire apenas bom. Bem, vamos analisar cada uma delas:
O INESCRITO
Talvez esta seja a primeira HQ a retratar o “mundo editorial” tal qual ele se tornou depois do fenômeno Harry Potter, onde não apenas o bruxinho, mas cada livro precisa se tornar um beste seller que todos estão lendo ou odiando quem lê. Neste mundo, o maior fenômeno literário sãoa s aventuras do bruxinho “Tommy Taylor”. Seu autor, Wilson Taylor, desapareceu misteriosamente. Os fãs do livro são um culto maior que os de fãs de Tolkien, e esperam que o autor volte para escrever um novo livro do personagem.  Tom Taylor, filho do autor, vie em convenções, dando entrevistas e autógrafos. Um dia, uma estudante pergunta se ele realmente é o filho de Wilson Taylor, ou um farsante. Apesar de saber quem ele realmente é, começam a aparecer provas de que tudo pode ser uma farsa. Mas em tempos de internet, onde uma mentira pode se tornar uma verdade apenas pela quantidade de pessoas que acreditam nela (ou postam, curtem, compartilham, ...), como fugir da repercussão disso? Agora, Tom precisa provar que não é um farsante, ao mesmo tempo em que procura por seu pai. Mas, no fundo, ele só queria ficar em paz.
Mike Carey nunca foi um dos meus escritores favoritos. Tudo o que eu li dele pecava por falta de originalidade. Em Hellblazer, por exemplo, parecia que ele havia lido tudo o que foi publicado anteriormente, e feito uma releitura. Chatíssimo. Em outras obras, ele parece imitar o estilo de Neil Gaiman. Neste O INESCRITO, ele parece seguir por esse caminho. Muito do ritmo lembra Neil Gaiman. Há até, na última história do encadernado uma história que mostra o escritor Rudyard Kipling envolvido em uma conspiração que lembra muito as histórias de Sandman, quando Gaiman inseria alguma personalidade real, ou recriava alguma história mitológica na sua saga. Mas apesar desse meu “preconceito” contra Mike Carey, gostei bastante da leitura deste encadernado. Ele possui um bom ritmo, a história não cai em momento algum, e tem um clima de suspense bem trabalhado.
No decorrer da história, vão acontecendo coisas que mostram que realidade e ficção podem não ser coisas separadas, e o autor sabe misturar isso muito bem, sem fazer com que a história perca seu “pé no chão”. Aliás, esse é o grande diferencial, na minha opinião, e o que faz desta uma ótima revista: ela é baseada em nosso mundo. Um mundo com internet, fofocas inventadas por jornalistas ruins, fãs de livros que vivem como se estivessem dentro das histórias, etc. Se você for um leitor que não entende porque seu amigo nerd fica indo em tudo quanto é evento fazendo “cosplay”, vai se identificar imediatamente com o mundo em que Tom Taylor vive.
E o traço de Peter Gross não é belo, mas é competente na diagramação, composição das páginas, e dá o clima exato de seriedade e escapismo que a história existe.
SWEET TOOTH
A premissa básica deste SWEET TOOTH já me conquistou antes mesmo de eu começar a ler. Quando li as primeiras reportagens a respeito, já sabia que acabaria colecionando. Mas, ao ler, não me empolguei tanto quanto achei que iria. A revista conta a história de um mundo onde “O Flagelo” devastou quase toda a humanidade. Isso fez com que as crianças híbridas de humanos e animais nascessem. Essas crianças são caçadas, pois são consideradas valiosas. Uma dessas crianças é Gus, de 7 anos, que vivia sozinho com seu pai, até que ele morreu. Agora, ele está sozinho no mundo. Até que surge Jepperd, um homem misterioso e bruto. Ele promete levar Gus até um lugar chamado de  “Reserva”. Pelo caminho, os dois podem acaber se tornando amigos; ou Gus pode se tornar um ser violento como Jepperd; ou Jepperd pode se deixar levar pela inocência de Gus.
Essa história parece ter o estilo clássico dos contos de fadas, mas transposta para a realidade dos dias de hoje, mas em um ambiente pós-apocaliptico. Jeff Lemire, que também escreve vários títulos da “linha Dark” da DC, escreve e desenha esta obra singela. Em alguns momentos durante a leitura, eu, como órfão de “Y – o Último Homem” achava que estava lendo uma história que se passa no mesmo universo, por mostrar os dois personagens em uma jornada pelo mundo devastado. Mas o estilo de Jeff Lemire é bem diferente de Brian K. Vaughan. Principalmente no ritmo que ele conduz a história. Em algumas páginas, tudo parece ser muito rápido. Você vira as páginas numa velocidade, e termina todo o encadernado em questão de minutos. Fiquei com a impressão de que falta mais tempo pra que o leitor se identifique com os personagens antes que a história realmente passe pra ação. Mas dependendo de como os próximos encadernados forem construídos, isso pode ser uma característica boa.Faz com que a história não fique “enrolando” o leitor.
O traço de Lemire não é do tipo que agrada qualquer leitor. Já vi alguns leitores dizendo que não gostaram muito do estilo dele, que foge da tradicional busca pelo realismo de muitos artistas. Pelo contrário, o traço dele é “expressionista”. Torto, estranho à primeira vista, distorce os personagens em algumas cenas, mas possui uma força nas caracterizações de gestos e emoções que poucos desenhistas possuem.
RESUMINDO
As duas obras não tem o mesmo potencial de se tornarem “clássicos”como Y e Ex-Machina foram para muitos leitores, mas ainda assim, são duas boas leituras. Eu, particularmente, apesar de ter achado que a leitura de O INESCRITO tenha sido melhor, vou apostar em colecionar SWEET TOOTH. Além de não confiar totalmente em Mike Carey, a obra de Jeff Lemire tema vantagem de já ter se encerrado nos EUA, em poucos encadernados.
Mas essa é a minha opinião. Ao leitor que optar por qualquer uma delas, vai estar adquirindo uma ótima leitura.

terça-feira, 6 de maio de 2014

EU, DURANTE A COPA

Só espero que nenhuma anta ache que esta HQ é coxinha.
Nada de "não vai ter Copa", aqui. Eu apenas não gosto de futebol. Só isso. E respeito quem gosta.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

KM BLUES


Leia no link abaixo meu texto sobre KM BLUES, do Daniel Esteves (Nanquim Descartável). Uma ótima HQ imperdível pra quem gosta de boas histórias.


KM BLUES
Há um show da Legião Urbana, onde o vocalista Renato Russo diz algo como “As pessoas esperam que eu lhes mostre as respostas. Mas eu nem sei quais são as perguntas.” Em KM BLUES, de Daniel Esteves, Wanderson e Wagner de Souza, parece que o personagem principal está passando por esse mesmo “dilema”.
A hq, uma das obras contempladas pelo PROAC de quadrinhos do estado de SP, conta  a história de Flavio, que está em busca de respostas, e de uma nova perspectiva pra sua vida. O fio condutor da narrativa é ele em seu carro, na companhia espiritual do cantor Cartola. Aliás, a “trilha sonora” dessa história são as músicas do sambista. Quem conhecer as músicas mencionadas nos títulos dos capítulos, e em trechos da história, com certeza vai ter mais um motivo pra curtir.
Flávio quer recomeçar sua vida do zero. Ele pede demissão do emprego, se separa da mulher, e vai embora. Pra cidade onde cresceu. Refazer as pazes com o passado. Com seu antigo amor. Com seu pai, com quem teve uma desavença grave. Com amigos de banda. E, no caminho, conversando com Cartola.
São tantos pormenores, que cada um deles merecia um tópico, mas ao mesmo tempo, o melhor é deixar o leitor descobrir a maioria deles por conta própria, assim como acontece na vida. Mas de todos esses fatos aos quais Flavio parece buscar, os que mais se destacam são o seu primeiro amor, e o relacionamento com seu pai. Quando jovem, ele decidiu sair de casa, e mudar de cidade, indignado com o fato de seu pai ter traído sua mãe, e ela ter se resignado com o fato. Anos depois, em uma outra cidade, ele acha que não está satisfeito, e precisa mudar novamente sua vida. Aí é que a história começa pra valer. Ele pega seu carro, e cai na estrada.
E o melhor da história é que ela é contada de forma fora de ordem temporal. Ou seja, os vários locais e épocas em que se desenrolam a história são mostrados fora da sequência cronológica. E o mais interessante é que demora pra gente imaginar onde cada acontecimento se encaixa na história de Flávio. Uma sacada genial do Roteiro, as várias histórias são contadas paralelamente, sem que o leitor perceba.
Mas não pense que a história seja confusa. Pelo contrário. Diálogos fluidos e com a informação na medida certa deixam o leitor a par de todos os acontecimentos passados de Flávio e as pessoas ao seu redor. É como se os diálogos, e os cortes fossem a s peças do quebra-cabeça, que o leitor vai formando enquanto lê.
Quem conhece o trabalho de Daniel Esteves com “Nanquim Descartável”, e outras histórias, sabe que dramas humanos sobre relacionamentos são seu forte. E ele escreve sem parecer piegas. Neste KM BLUES, os personagens agem como pessoas reais, e o autor foge dos clichês do gênero. Até mesmo as decisões que os personagens tomam (principalmente Flávio, claro) fogem das convenções do gênero.
E os desenhos de Wanderson de Souza, com as cores de Wagner de Souza casam perfeitamente com o estilo da história. Os traços limpos de Wanderson já são conhecidos dos leitores de Nanquim Descartável, com suas linhas claras, e um traço realista. Diga-se de passagem, colorido fica ainda melhor.
Outro ponto que merece destaque é o acabamento gráfico. Graças ao financiamento do Proac, foi possível editar um álbum de 106 páginas luxuosas, e ainda conter alguns extras sobre os bastidores da produção, desde o roteiro, até as cores, e ainda um texto biográfico sobre Cartola.
O leitor que ler este álbum não vai se arrepender. Talvez até se identifique com Flávio. Ou vai pensar nele quando estiver em alguma “encruzilhada emocional”, Sem saber que rumo seguir na vida, ou quando estiver em busca de respostas. Ou das perguntas.



sexta-feira, 2 de maio de 2014

MELHORES HQ'S DE 2012


Lembrando quando eu escrevi um texto sobre os melhores quadrinhos de 2012, aqui:


MELHORES DE 2012
 Olá!
Eu sou Lexy Soares, quadrinhista, cineasta, já tentei ser ator, iluminador cênico, e agora, sou colunista do Mauá Fácil, escrevendo sobre quadrinhos e cinema. Pra aproveitar o início do ano, faço como muitos sites especializados em cultura pop, e lanço a minha lista de melhores quadrinhos de 2012. Espero que você goste, comente, compartilhe, faça as suas listas, etc. Mas se divirta lendo quadrinhos. E se você não leu alguns dos que eu votei, corra atrás que vale a pena. Palavra!
Agora, aos vencedores:


1- "Astronauta - Magnetar" (Danilo Beyruth) - Panini Comics
A reinterpretação de Danilo Beyruth para o personagem do Mauricio de Souza, se mostrou ao mesmo tempo uma história simples, e completa. Perdido no espaço após um dano em sua nave, ele precisa lutar pra ficar vivo, antes que a loucura decorrente da solidão tome sua mente.
2- "Fracasso de Público - Volume 3 - Adeus" (Alex Robinson)  - Gal Editora
O final de uma das melhores histórias independentes já feitas nos EUA. Alex Robinson soube como terminar sua história de uma forma genial, concluindo algumas das tramas de forma completamente inesperada, e com resoluções que fugiram do óbvio. Nota 10!

3- "Y - O Último Homem - Vol 10" (Brian K Vaughn e Pia Guerra) - Panini Comics
Vaughan soube terminar a sua saga de forma perfeita, ao explicar apenas o necessário pra não estragar a proposta “realista” de uma premissa absurda. Ao deixar no ar certas questões “científicas”, mas dando um foco maior e mais sentimental nos seus personagens, ele fez do final algo lindo. A melhor história de toda a saga.

4- "Wilson" (Daniel Clowes) - Companhia da Letras
Fazer uma história longa, mas feita de capítulos de página única. É genial, ou não é? E, sabendo como ela foi criada, é ainda mais interessante notar como que as páginas aparentemente soltas acabaram se tornando uma história completa, que ainda assim mantém as características tanto de “cada página como HQ completa”, quanto no “todo da grande história”.

5- "Fade Out - Suicídio Sem Dor" (Beto Skubs, Rafael DeLatorre, Marcelo Maiolo) - independente
Esta HQ é uma das melhores histórias feitas, e que ainda não teve o destaque merecido. A forma como seu personagem principal circula, sendo tratado como um ser humano real, e fugindo das decisões clichês. Tão inesperado quanto o final que é revelado logo nas primeiras páginas. E ainda consegue continuar sendo um final surpresa.

6- "Locas - Maggie, a Mecânica" (Jaime Hernandez) - Gal Editora
Nenhum autor, nunca, vai conseguir criar mulheres que se comportam como mulheres de verdade como Jaime Hernandez. E nem hq’s tão divertidas. Não importa se Maggie, Hopey e amigas estão em um cenário realista dos bairros mexicanos dos EUA, ou em uma paisagem escapista com robôs e dinossauros, ninguém vai conseguir superá-lo.

7 - "Bakuman" (Tsugumi Ohba e Takeshi Obata) – JBC
O primeiro mangá que acompanho religiosamente desde o começo. Ao mostrar o dia a dia de dois amigos que sonham em se tornar profissionais da indústria dos mangás, este consegue ter histórias mais interessantes, empolgantes e cativantes que qualquer outro. Leio, guardo com carinho, e recomendo pra todo fã de HQ.

8 - "KM Blues" (Daniel Esteves, Wanderson de Souza, Wagner de Souza) - independente
Daniel Esteves já está se tornando um dos melhores roteiristas do país, com seu estilo inconfundível de mostrar dramas humanos simples. E, com esta HQ, ele conseguiu se superar ao usar um jogo de cortes temporais na narrativa pra deixar uma bela história ainda mais interessante, e nos colocar ao lado do personagem principal.

9 - "Escalpo" (Jason Aaron, R M Guera) – Panini Comics/Vertigo.
Desde que comecei a colecionar a revista Vertigo da Panini, Escalpo se tornou a minha história favorita do título. Personagens realistas, retratados sem pudor algum, violência na medida certa. E tudo tratado com intensidade e tensão perfeitas. Ler essa HQ é como acompanhar um seriado bom e bem escrito. Dificilmente o leitor vai encontrar personagens tão reais em outro gibi.

10 - "Nação Fora da Lei - Sangue Entre Irmãos" (Jamie Delano, Goran Sudzuka, Goran Parlov) - Gal Editora
Jamie Delano ao estilo Garth Ennis. E tão bom quanto Preacher. Personagens interessantes, em um mundo absurdo, mas ao mesmo tempo real. Uma HQ que causa estranheza pela forma que o autor buscou construí-la, mas que em momento algum perde o ritmo, ou a força. Que venha logo sua conclusão!