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sábado, 27 de setembro de 2014

BIDU CAMINHOS


A cada novo lançamento da coleção Graphic MSP, o primeiro impulso é o de comparar com as edições anteriores. Ao meu ver(não sei se todos concordam), “Astronauta Magnetar” e “Laços” sem querer, estabeleceram um parâmetro para os álbuns seguintes: ou são uma releitura que vai bem longe do original, como “Magnetar”, ou é fiel às originais, mas com um toque autoral, como “Laços”. A maioria das críticas que tenho lido sobre a série parecem apontar isso. Mas, fechada a “primeira fase” das Graphics, chega as bancas “Bidu – Caminhos” que mostra que as histórias são maias do que apenas isso.
Produzida por Eduardo Damasceno e Luís Felie Garrocho, a dupla que produziu “Achados e Perdidos”, a primeira HQ nacional financiada pelo Catarse, Bidu é uma história que, a primeira vista, pode contradizer a teoria que apresentei no parágrafo anterior, pois ela é basicamente uma forma autoral de recontar o primeiro encontro do Bidu com o seu dono Franjinha. Mas ela vai muito além disso. Primeiramente, o Franjinha é quase um coadjuvante na revista. Sim, ele aparece, e com certa importância pra história, mas o Bidu, que dá título à revista, é o verdadeiro protagonista.
A história mostra o Bidu como um cachorro de rua, que vive em um ferro velho. Expulso de sua “casa” por Rúfius, outro cachorro de rua, grande e bravo, ele vaga pelas ruas, até ter uma ideia: se deixar ser apanhado pela carrocinha. Assim, ele ao menos terá um teto e comida. Aqui cabe um adendo: ótima ideia dos autores de mostrar o canil como um lugar que cuida bem dos cachorros, bem diferente do que se costuma ver em histórias, que mostra canis como presídios pra animais, e seus funcionários como carcereiros cruéis. Aqui, os funcionários são boas pessoas, e o canil mais parece um spa pra cachorros. Bidu não é o único cão capturado pela carrocinha, mas Rúfius acaba indo parar lá também. Agressivo, um dia ele arma uma fuga. E vão juntos Bidu, e Duque, um cachorro que sente falta de sua dona.
A partir daí, a história é sobre a fuga deles, e como esse breve relacionamento entre os três promove uma leve mudança em suas vidas. Em especial, caro, Bidu, que parece reavaliar sua vida como um errante solitário.
E, ao mesmo tempo, em um toque simples mas genial dos autores, Franjinha, como um coadjuvante, vai seguindo sua trajetória paralelamente. Ele abre a revista falando com sua mãe que quer ter um amigo: um robô, ou um cachorro. Sua mãe o ajuda, e, nas “pausas” da trama do Bidu, é mostrado como sua aventura em busca de um cãozinho se desenrola. Genial, pois em cada aparição, é contada apenas uma parte da trama maior que o Franjinha planeja. E os fatos mostrados não parecem ter ligação com isso. Mas só aparentemente.
Outra grande sacada é o uso dos recursos da linguagem gráfica empregada pela dupla de autores. Assim como nas obras de Will Eisner, aqui as onomatopeias não estão apenas indicando sons, mas fazem parte do cenário e dos “objetos”. Um belo exemplo é quando Bidu esta com fome, e o “som” de seu estômago roncando agarra e aperta sua barriga. Outro ótimo recurso são as “falas”dos cachorros. Ao invés de palavras, os cães da HQ falam através de imagens. O que eles estão falando aparece desenhado nos balões de diálogo. Além de visualmente bacana, esse recurso faz com que os animais não se fiquem antropomorfizados, mas continuem sendo cachorros durante toda a HQ. E até denota a personalidade de cada um deles. Rúfius, por exemplo, “fala”através de diagramas de projetos. O que faz o leitor identificar nele uma atitude de falsa intelectualidade, um ar superior de quem apenas acha que está falando de forma inteligente, mas que não consegue se fazer entender pelos interlocutores. Seguindo esse mesmo raciocínio, é interessante notar como Duque é mais detalhista em seus diálogos, e Bidu fala com poucas imagens. Cada qual com sua personalidade, como eu disse.
Com uma história digna das animações que são indicadas ao Oscar, todas essas qualidades fazem de Bidu Caminhos uma leitura imperdível!


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