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quarta-feira, 12 de março de 2014

FRACASSO DE PÚBLICO


Este é o gibi mais bacana que já el na vida! Exagero? Só se você não o conhece. Saiba um pouco sobre FRACASSO DE PÚBLICO no meu texto: 

“Fracasso de Público”, badalada HQ publicada no Brasil pela Gal Editora, é simplesmente uma das maiores surpresas que um leitor pode ter em sua vida. Exagero? Só pra quem odiar o gênero de hq’s alternativas. Afinal, todos que leram concordam que a série independente de Alex Robinson é uma das mais belas e divertidas obras que se tem notícia.
Publicado nos EUA nos a nos 90, pela Antarctic Press, e mais tarde reunidas pela Top Shelf, “Box Office Poison” é uma daquelas histórias sobre pessoas comuns levando uma vida normal. Pra maioria dos leitores, que já ouviram falar de quadrinhos como ”Estranhos no Paraiso”, pode parecer nada mais que “mais outra HQ no mesmo estilo”. Mas engana-se quem pensar assim. Fracasso é uma história daquelas com algo a mais. Algo mais sutil, mas ainda assim, algo que torna a HQ muito mais completa que a maioria do que lemos por aí.
A história começa apresentando os amigos Sherman e Ed. Sherman está de mudança pra uma nova casa, um quarto alugado por Stephen e Jane, de quem se torna amigos, e acabam se tornando personagens tão importantes quanto a dupla principal. Ed é aspirante à quadrinhista, e após ter um trabalho seu recusado pela fictícia editora “Zoom Comics”, acaba se tornando assistente de Irving Flavor, um autor da era de outro das hq’s, criador do personagem Nightstalker, mas que hoje vive na miséria, sem ter os direitos sobre a própria criação. A princípio, a HQ é sobre os problemas comuns do dia a dia de pessoas comuns. Namoros, casa, aluguel, vizinhos, empregos chatos, essas coisas. Mas aos poucos, cada personagem vai desenvolvendo uma trajetória individual, com pequenos problemas que prendem a atenção do leitor. Alex Robinson cria uma saga onde mesmo um pequeno problema como um cachorro latindo é transformado em algo grande, terrível e envolvente, tanto pros personagens quanto pro leitor.
E, como grande conflito, temos o fato de Ed decidir ajudar o Sr Flavor à retomar os direitos de sua criação, ou ao menos ser financeiramente compensado. Com isso, o autor consegue fazer uma crítica à indústria dos quadrinhos ao mesmo tempo em que presta uma homenagem aos artistas da “Era de Ouro” dos Comics.
Os desenhos de Alex Robinson, nas primeiras edições estão dentro do padrão de hq’s alternativas, sem grandes inovações estilísticas, mas já cativam logo nas primeiras páginas, com seu traço limpo, cartunesco, e com perfeita utilização do contraste com preto. O uso de grandes areas de preto dando o preenchimento do cenário, da profundidade da cena, ou como efeito dramático são usados de forma perfeitamente adequada. Mas com o decorrer das edições, o que é bom fica melhor, pois as linhas do autor adquirem uma certa fluidez mais limpa. E os recursos gráficos que o autor emprega são dignos de grandes mestres do meio, como Eisner.
E o roteiro, o principal atrativo, é feito de vários momentos distintos. Cada capítulo possui seu próprio estilo, ritmo e tom. O autor passeia do drama à comédia com a maior naturalidade, como na vida. Em uma momento, Sherman está em seu trabalho em uma livraria, atendendo fregueses com perguntas idiotas, no outro, lembranças de uma infância triste, e indo à extremos da forma mais natural, que quase não percebemos o ponto de mudança, e nos deixamos levar. Nada soa forçado, tudo é feita na mais tranquila naturalidade. E os diálogos São tão bem feitos, que mostra a vida de cada personagem, dá pra acreditar que estamos lendo uma biografia, e que tudo ali é real.
Eu, particularmente, me senti íntimo de cada personagem. Acompanhar toda a saga durante os anos em que foram publicados no Brasil foi um grande prazer, e com tristeza, li as últimas histórias. Tristeza por saber que estou lendo um final de uma ótima história. Mas ao mesmo tempo, com a satisfação de ter lido algo que vai ter um lugar especial em minha estante, pra ser relido de tempos em tempos.

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