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segunda-feira, 2 de junho de 2014

TRÊS SOMBRAS


Uma belíssima HQ, que mais parece uma animação Disney/Pixar.
Excelente leitura recomendada! Saiba mais lendo minha resenha aqui:


TRÊS SOMBRAS
Uma das mais belas hq’s europeias a ser lançada por aqui nos últimos tempos.
TRÊS SOMBRAS,  de Cyril Pedrosa, é uma grata surpresa. Desconhecido do grande público no Brasil, o autor já trabalhou nos estúdios Disney como animador. Sabendo disso, dá pra perceber a influência do estúdio no seu traço, principalmente na composição dos personagens, e nos movimentos.
Esta HQ se passa em uma época indeterminada, que pode ser uma período medieval, mas que é também  atemporal. Não é mencionado onde e quando ela ocorre. Um mundo mítico, talvez? Não importa. O importante é o tema dela. E a forma como ela é narrada, em um misto de HQ adulta com fábulas infantis. Algo que pode agradar tanto os fãs de quadrinhos quanto aos admiradores dos desenhos da já citada Disney.
Em TRÊS SOMBRAS, Cyril Pedrosa conta a história de uma família que vive nesse local indeterminado, composta pelo pai Louis, pela mãe Lise, e pelo filho Joachim. Eles vivem tranquilos em sua casinha, cuidando da pequena fazenda, e se divertindo juntos, até o dia em que o pequeno Joachim é visitado por três sombras. A princípio, seus pais acham que é apenas coisa da imaginação de uma criança, mas ao olharem pra fora de casa, eles veem as sombras, na forma que parece ser a de três pessoas em montarias. Nos dias seguintes, eles continuam vivendo normalmente, até que as sombras voltam a aparecer.
O que as Sombras querem é levar Joachim. Apesar de não ficar claro o que elas são, elas representam a morte, e que o tempo de vida do pequeno filho do casal está próxima do fim. Mas seu pai se recusa a permitir isso, o que o faz seguir em uma viagem sem destino certo, para levar o filho o mais longe possível das Três Sombras, e assim, salvá-lo.
Em sua viagem, Louis e Joachim passam pela floresta, embarcam em um navio de passageiros, além de enfrentarem todo tipo de provação da natureza e humana. Tudo em uma busca obsessiva de Louis para levar o filho o mais longe possível das sombras. Eles passam por uma longa viagem, sempre com Louis se negando a aceitar a morte do filho.
Cyril Pedrosa nos conta a essa história de uma forma quase mágica, ao nos jogar em um mundo onde o simbolismo da aproximação da morte é tratado de um jeito especial, com ações dos personagens e situações vividas por eles, para nos fazer adentrar nesse mundo, onde  somente palavras poderiam explicar essa não aceitação de Louis, mas que, ao fazer uso de uma narrativa aristotélica, nos envolve muito mais. Não há em momento algum um narrador nos esclarecendo tudo através de recordatórios. A história é toda contada pelas ações, gestos e movimentos. E os desenhos mostram tudo com tamanha perfeição que é como se estivéssemos vendo atores interpretando em nossa frente.
E o traço usado por ele alterna as linhas simples e fluidas com traços grossos, quase rascunhados. Mas nunca de forma gratuita. As diferenças do traço são usadas quando a emoção que o autor deseja passar pede. Os momentos mais dramáticos são os que o traço adquire um estilo mais “feio”, mas cru. Ou mesmo lúdico, dependendo do momento na história, e da sensação que o leitor precisa sentir.
A HQ possui 268 páginas, mas o leitor vai se envolver de forma que vai ler tudo em uma só tacada. Aliás, é o que recomendo. E, como já foi dito, quem tiver filhos vai compreender melhor as nuances que só um pai pode sentir ao saber que a morte de um filho se aproxima. E entender as atitudes de Louis em não aceitar isso. Mas para o leitor que ainda não tem filhos, fica uma excelente leitura, envolvente e emotiva, mas sem ser piegas em momento algum.

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